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O caricato mascate internacional
Postado em 11/03/2010 às 06:00
O Brasil está cheio de incautos seguidores de falsos Messias. De petistas obtusos e recalcitrantes já estamos acostumados a ouvir críticas por não aceitarem opiniões democráticas divergentes. O Lula e toda trupe petista deveriam respeitar os governantes anteriores, inclusive o principal deles, FHC, que lhes deixou uma política econômica estável, que foi toda copiada, mas o Lula e trupe não têm coragem de reconhecê-la. Mostram que são espertos plagiadores e pensam que começaram a governar o País do marco zero do desenvolvimento brasileiro.

O Lula realmente é o "cara" - cara-de-pau, bobo da corte internacional, que diverte a comunidade estrangeira com suas chalaças. É um verdadeiro truão do picadeiro internacional.

Intitula-se defensor dos oprimidos, mas sempre vai lamber as botas do ditador e moribundo Fidel Castro à nossa custa, enquanto dissidente cubano, lutando pela liberdade de seus compatriotas, morre em greve de fome, trancafiado em masmorra da desumanidade, em pleno século 21.

Hitler, quando começou a sua vida, era cheio de "boas intenções" e deu no que deu. Lula e o PT são como Hitler, querem amoldar o Brasil ao seu gosto para depois, maquiavelicamente, apunhalar pelas costas os brasileiros pacíficos, honestos e trabalhadores de verdade, que pagam alta carga tributária sem contrapartida de serviços públicos de qualidade. E o caótico sistema público de saúde nacional que o diga, um verdadeiro desrespeito ao cidadão mais necessitado que morre em filas de hospitais públicos sem ser atendido.

Lula é o caricato mascate internacional, que vende um Brasil irreal para gringo. Lula não mostra e o gringo desconhece o autêntico estado de miséria da periferia, das favelas, dos mocambos e de muitos rincões sem nenhuma infraestrutura básica em que o esgoto ainda corre a céu aberto. Os milhões de desempregados e moradores de ruas que a cada dia engrossa as cidades brasileiras. A falta de segurança interna ao cidadão, horrorizado com o domínio dos narcotraficantes.

Enquanto só viaja à nossa custa, o Haiti brasileiro não é olhado com o mesmo interesse com que se preocupa com os países pobres internacionais. Trata-se de um grande impostor. Recebe aposentadoria por "perseguido político", com isenção de Imposto de Renda, cujo decreto foi assinado por ele.

Quer agora que o País seja presidido por uma (ex) guerrilheira, cuja história dá conta de que em sua militância política já assaltou bancos, matou nacionais, e mentiu recentemente que era diplomada pela Unicamp.

Julio César Cardoso, bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Email: juliocmcardoso@hotmail.com
 
 
O olhar
Postado em 10/03/2010 às 12:25
Quão poderoso é o olhar. Descobrem-se rapidamente quem chora, ri, está zangado, irado, amando. Os despeitados e olhos fixos no chão , olhando com o rabo do olho. O brilho contagiante nos olhos dos tomados pela alegria de viver.

Há um terreno no qual o olhar parece ditar o começo e, se não houver fim, o eterno meio. É o da paquera. O olhar dribla circunstâncias, status quo, a timidez, ou não sei mais o quê que ilha a pessoa que nos arranca suspiro. Mais seguro, e muito menos frustrante do que palavras, o olhar denuncia nossos sentimentos enamorados, sem nos comprometer.

Se há reciprocidade na paquera logo se nota. É quando a pessoa, através do olhar pontual diz você também não me é indiferente. Contudo, se a pessoa logo que capta a luminosidade paquerosa se esquiva, baixando os olhos, fingindo não ver, de modo gentil ou ofendido, a recusa é certeira.

Quarenta e dois anos, trabalhando no banco, economista. Recém-separado, eu queria é ficar sozinho. Sou teórico da economia. Poderia ter sido marido comum, barrigudo, mulherengo ou não, enchendo o caneco no boteco ou não, ou posando de macho em casa. Sou pacato, e por culpa da pacacidade se desgastou o casamento de anos. Decidi viver sozinho e abraçar a vida monástica, celibatária, fazendo da teoria econômica um sacerdócio. Assim eu pensava até ela chegar.

A nova gerente surgiu na agência. Notei depois de três meses. Droga, desde então ela não saiu da cabeça. Quanto mais eu inventava defeitos nela, mas a simplicidade, o encanto, a sinceridade, a determinação, os lábios deliciosos me atormentavam. Olhares se cruzam, e quando acontece, fico tonto, um torpor me abraça, queria dizer tanto, tanto, tanto... Quando ela aparece na minha frente, eu fico parado nela. Quero aproveitar cada gingado, sorriso. Quando me diz bom dia, me ilumino. Quando não me nota, ou finge não me ver, fico deprê... Na hora de ir embora, se encontro seus olhos e ela me sorri uma boa noite, vou satisfeito. Caso se esquiva ou se cala, penso amarrar minha gravata na primeira árvore que achar e me enforcar.

Admiro o gay, pois não se deixa escravizar pela mulher. Tem que ser muito macho para não cair de joelhos ao encanto feminino. Pena, sou fraco. Não, não sou don juan. Sou tipo coca-cola, só agito. Quando me separei, visualizei uma vida monástica. Do trabalho para casa, aprender com Keynes, Smith, outros.

Malvada gerente, com a maciez no caminhar, com a cara emburrada num momento ou com um sorriso abrasador noutro, apareceu para balançar minha convicção celibatária. Sei, a fantasia é minha. Talvez ela nem me note.

O que me resta é olhar, olhar, olhar... Sim, pisando em ovos. Somos empregados na mesma empresa.

Ainda bem que nos meus sonhos ela já me respondeu, e eu a abracei, contamos confidências, ela riu e se zangou, passeamos de mãos dadas, vencemos o falatório mesquinho e comentário maldoso, enfim, agimos como apaixonados.

Ronaldo Duran é romancista. Email: ronaldo@ronaldoduran.com. Acesse www.informativoliteraturaviva.blogspot.com
 
 
Dez razões para investir na comunicação com as mulheres
Postado em 10/03/2010 às 12:11
Imaginem o seguinte roteiro de novela: por motivos de herança, uma mulher era feliz e sócia de uma empresa com o seu marido. Quando o companheiro morre, descobre que ele havia deixado o negócio para um filho que teve com uma de suas amantes. Choque! Ela reage, veste roupas masculinas, coloca uma barba postiça e vai à luta. Consegue, com o apoio dos demais sócios, destituir o herdeiro, com o argumento de que o rapaz era jovem demais para conduzir a companhia. Depois de 20 anos de uma administração altamente eficiente, morre e consagra-se pelo feito.

Essa história é real. O nome dela é Hatshepsut, filha de Tutmés I e meia-irmã e mulher de Tutmés II, que governou o Egito entre 1502 e 1482 a.C. utilizando barba postiça e roupas masculinas de faraó – veja o que elas têm de fazer nesse mundo machista para mostrar a sua competência! Lá se vão 3,5 mil anos de história para justificar os terninhos que elas usam hoje no exercício de funções executivas.

No início do ano, uma pesquisa revelou que nos próximos meses, nos Estados Unidos, as mulheres serão a maioria das pessoas empregadas formalmente. No Brasil, já representam 44% do mercado de trabalho, mas entre os profissionais com mais de 11 anos de estudo predominam, beirando o índice de 60%.

Poucos anos atrás, um banco solicitou à minha empresa que estudássemos as oportunidades de comunicação no ambiente seleto que é conhecido como "banco dentro do banco". Naquela época, as mulheres eram responsáveis por menos de 20% do volume de transações comerciais entre a população de maior poder aquisitivo, que são seduzidos com um atendimento diferenciado em uma área especial nas agências bancárias.

Algum tempo depois, apresentamos um documento radical no qual recomendamos que parassem de tentar falar com os homens e focassem somente nas mulheres. Em nossa investigação, descobrimos um fato incontestável: a enorme velocidade do crescimento da importância delas na transformação da sociedade contemporânea. Cada vez mais rápido, passavam a interferir ativamente e positivamente nas mudanças sociais. Os dados que recolhemos mostravam que, mesmo que fossem muito diferentes entre elas próprias, apresentavam uma tendência contínua de comportamento. Por que, então, concentrar o foco da comunicação nelas? Abaixo, uma lista com dez razões para isso.

1) Elas são 3% mais inteligentes do que os homens. Se os atributos do seu produto ou serviço fazem sentido, mas necessitam de alguma habilidade para serem percebidos, escolha uma comunicação inteligente e direcionada ao público feminino.

2) São mais exigentes no momento da compra inicial e compensam o investimento de tempo mantendo-se fiéis nas compras seguintes. Se a marca atender às expectativas mais elevadas das mulheres, responderá também às exigências dos homens.

3) Conquistam o poder de decisão cada vez mais rapidamente. No Brasil, sustentam sozinhas quase um terço dos lares. As que vivem sozinhas (solteiras, descasadas ou viúvas) têm renda 62% maior do que as acompanhadas.

4) São as maiores compradoras do planeta. Consomem muito mais do que os homens e ainda influenciam a decisão do que eles querem adquirir. As pesquisas apontam-nas como responsáveis por 80%, ou mais, do total das compras realizadas.

5) Porque "são detetives em exercício na maior parte das compras", diz Tom Peters. Apresente comparações com vários concorrentes importantes. Ao oferecer a informação, você direciona a perspectiva dela, acelera o seu processo de decisão e assume a transparência do negócio.

6) Porque buscam um relacionamento, uma conexão. Querem dialogar e não simplesmente negociar. São agregadoras e, ao saber que as amigas procuram um produto ou serviço, a probabilidade de recomendar marcas é três vezes maior que no caso dos homens.

7) São mais sensíveis à comunicação ambiental, mais receptivas em todos os canais sensoriais, prestam mais atenção ao contexto geral e são mais holísticas. Possuem maior visão periférica e valorizam ambientes prestativos.

8) Aceitam o apoio de um consultor. São duas vezes mais propensas que os homens a buscar suporte de um especialista. São investidoras mais cautelosas e confiam menos na sua própria habilidade.

9) Tendem a fazer mais o dever de casa do que o sexo oposto, pois são mais responsáveis. Pesquisam mais antes de investir e são mais pacientes e analíticas.

10) Ainda não são completamente compreendidas. Não querem produtos diferentes dos oferecidos aos homens, mas querem ser atendidas de modo distinto. O atendimento personalizado é mais importante do que o desempenho do produto ou serviço.

Se eu tivesse de resumir tudo, diria que as mulheres só querem respeito e, obviamente, todos os procedimentos culturais e sociais necessários para que essa atitude exista. Elas desejam não necessitar se travestir para trabalhar, partilhar o poder, consumir ou construir uma família digna. Querem que seus atributos femininos bastem para serem verdadeiramente protagonistas de um futuro melhor.

"Muitos e muitos anos atrás, quando eu começava a minha carreira de jornalista, uma pessoa muito querida afirmou numa coluna que eu 'escrevia igual a um homem'. O contexto da nota era altamente elogioso. Passei muito tempo refletindo sobre como deveria ler aquela frase, que eu recebera com gratidão, sabendo que tinha sido redigida de coração aberto por alguém cheio de carinho e boas intenções. Hoje penso que isso deve ter sido meu primeiro grande exercício em compreensão e, quem sabe, sabedoria: receber um insulto como se elogio fosse", escreveu a jornalista Ana Maria Bahiana, no Dia Internacional da Mulher, na segunda-feira 8 de março de 2010, sobre a conquista dos Oscars de melhor direção e melhor filme por Kathryn Bigelow, a p rimeira diretora de cinema a realizar tal façanha.

Rique Nitzsche é diretor de criação e gestor de projetos da AnimusO2 (www.animus.com.br).

 
 
Ministro confirma que governo finaliza pacote de mudanças na legislação trabalhista
Postado em 10/03/2010 às 11:56
Notícia publicada no UOL por Flavio Ilha, informa que o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confirmou durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (realizado de 25 a 29 de janeiro), que o governo vai enviar ao Congresso um pacote com 10 medidas que alteram itens da Legislação Trabalhista. Entre outras medidas, o pacote torna obrigatória a distribuição de um percentual de 5% do lucro das empresas entre os funcionários.

A vigente Lei 10.101, de 19/12/2000, que trata sobre a participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa e dá outras providências, já é auto-suficiente para regular o assunto. Vi nessa Lei, uma medida inteligente e de simples aplicação. Os Trabalhadores, sempre assistidos pelos respectivos Sindicatos, podem negociar com os Empregadores uma forma de participar dos “Lucros” ou “Resultados” da empresa, em cujas negociações deverão constar regras claras e objetivas a serem cumpridas para o recebimento da participação.

Creio ter sido um dos primeiros advogados em São Paulo a negociar com o Sindicato dos Metalúrgicos um acordo para participação dos empregados nos resultados da empresa, cujas metas e índices de aferição foram estabelecidos de comum acordo entre as partes. Vale lembrar que este acordo foi realizado em uma empresa deficitária. Com a participação dos empregados nos “resultados” e não no “Lucro”, conseguimos reduzir o prejuízo e engajar os trabalhadores na recuperação da empresa.

A alteração que ora se propõe, quer obrigar as empresas a fazer a distribuição de um percentual de “5% sobre o Lucro”. Vejo três inconvenientes perigosos, são eles: 1º. A obrigatoriedade sem negociação; 2º. A participação apenas nos Lucros; 3º. A ingerência dos trabalhadores na administração das empresas, sendo que os riscos só cabem a estas.

Hermenegildo Recco, advogado, consultor, professor e palestrante. Email: gildo.recco@gmail.com
 
 
Competência dos Anjos
Postado em 10/03/2010 às 06:00
Esquivando da questão da existência ou não, ou de seu sexo, haveria uma competência essencial dos anjos? Ou ainda, haveria uma competência dos Santos? Em caso positivo, na sua opinião, qual seria? Apesar de resposta ampla e variada, muito certamente a questão se centraria em torno do altruísmo, do sacrifício e da dedicação ao próximo. Todavia, parece oportuno girar um pouco o ângulo da questão e tratá-la como sendo de elegância. Mas não a elegância material do vestuário, mas a dos modos de tratar e agir com outras pessoas. Um Homem elegante é aquele que sabe ser cortês com as outras pessoas, mesmo não concordando com a sua opinião. Ademais, um ser elegante é elegante por si mesmo, independente da situação e da pessoa que está na sua frente. Na verdade, é na frente de pessoas impolidas que se demonstra a verdadeira elegância. É fácil ser de bom trato em situação amigável, mas é na prova dura que se mostra o verdadeiro valor. Por exemplo, Cristo foi elegante junto daqueles que sofriam e mesmo no derradeiro momento não houve baixaria. Não houve desequilíbrio mental, nem insultos.

Ademais, não se compra a elegância, mas aprende-se a ser elegante. Palavras, atitudes e pensamentos elegantes devem ser moldados ao ser pela própria pessoa. Não é possível fazer o trabalho do outro. É um esforço constante de aprimoramento e ajuste. Como um alfaiate que, a cada medição, vai puxando de um lado, marcando do outro, testando um fio, costurando o outro. O importante é que a cada lição aprendida, mais polido se torna o nosso ser, a nossa alma e não há dinheiro que pague tamanha recompensa. Quão agradável é ser elegante.

Talvez os anjos e os santos não sejam a sua finalidade, mas certamente você pode aspirar e se esforçar para ser elegante. Quem não gostaria de ser reconhecido e aplaudido como uma pessoa de fino trato, gosto estético apurado e cortês nas palavras e expressões? Mas cuidado, elegância não rima com orgulho, pois esta diminuí parecendo aumentar, enquanto aquela aumenta parecendo diminuir.

Assim sendo, esforcemo-nos em ser elegantes, pois dessa forma, em qualquer ocasião, podemos ser reconhecidos e agraciados como seres bem quistos, mesmo entre anjos e santos.

Paulo Hayashi Jr., doutorando em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Email: paulo.hayashi@hotmail.com
 
 
Um sonho apagado, um talento esquecido
Postado em 09/03/2010 às 06:00
Por entre camelôs, numa calçada estreita, eu tentava caminhar em direção à avenida Dr. Arnaldo. Dia quente, desviava das pessoas como quem pratica um tipo de dança, num movimento de ombro com passos rápidos. O cheiro vindo dos bares na hora do almoço prenunciava que já devia ser por volta do meio-dia. No ponto de ônibus, o olhar das pessoas tinha algo de triste; gente pobre, balconistas, vendedoras, que num misto de amargura e resignação se enquadravam naquele cenário agitado, como atores a denunciar o desgaste do trabalho do dia a dia, as pressões do emprego, o medo da miséria, desses medos que sempre rondam as esperas dos ônibus dos trabalhadores como numa música pensante repetitiva.

Foi bem ali que ouvi alguém me chamar pelo nome, na subida da Teodoro Sampaio, já bem próximo do Hospital das Clínicas. “Dr. Fernando!” Olhei para trás e vi um rosto conhecido, familiar, porém bem envelhecido. Negro, cabelos brancos, malvestido, olhar hesitante, o homem me olhou e disse: “Sou o Roque. Lembra-se de mim? Trabalhei no sítio. Sou filho da Dona Geni, que foi cozinheira de vocês”. Meio constrangido, aproximei-me dele e pude constatar que se tratava mesmo do Roque. Estava ali encostado, ao lado de um bar, numa condição física e psicológica deplorável. Sim, era o Roque, amigo de infância, filho da caseira, que costumava andar a cavalo comigo, rir dos cachorros que nos seguiam e que sempre dizia que seria agrônomo ou veterinário.

Tentei conversar um pouco com ele, mas na mesma hora percebi o que o tempo, o abandono e a falta de oportunidade fizeram de um jovem que eu não via havia trinta anos. Logo após o falecimento da mãe, Roque desapareceu. Na época tinha 14 anos. Foi tentar a vida no Paraná, mas, como acontece com a maioria dos jovens pobres, nada deu certo em sua vida. Parou de estudar, foi trabalhar numa oficina, não tinha profissão definida, foi jogado no mercado de trabalho vivendo de serviços simples, de biscates que mal davam para se sustentar.

Roque entregou-se à bebida, perdeu a dignidade. E, na pobre condição de negro, deixou seus sonhos para trás - estava desempregado e literalmente bêbado. O impacto dessa desventura, desse desalento social, absorvi naquele momento, quando de repente o ouvi chamar meu nome. Foi ali, naquele instante, que percebi quanto é importante um jovem ser assistido, ter acesso à educação, à profissionalização, a um Bolsa Família que garanta à criança a educação básica, a real oportunidade de integrar os jovens aos programas de inclusão social, de protegê-los da desesperança e de promover a construção de seus sonhos através de programas como o ProUni, entre outros, levando-os até a universidade.

Na verdade, naquele momento, diante daquele cenário, eu tinha pouco a falar com Roque. Apenas lancei a ele um olhar como quem lamenta por seu caminho, ofereci-lhe ajuda e dei-lhe um cartão meu. Num gesto lento, ele estendeu a mão trêmula e disse: “Estou sempre aqui. As pessoas me ajudam”. Em seguida, numa voz embargada, completou a frase, perguntando-me com um sorriso triste: “E os cachorros que seguiam os cavalos, você se lembra?”. Meio desconcertado, balancei a cabeça afirmativamente e depois me despedi. Continuei meu caminho e por um instante me desconectei do tempo. Numa marcha acelerada, me dei conta de que os cachorros já haviam morrido, os cavalos tinham sido vendidos e o menino Roque, amigo de cavalgadas, não existia mais.

Foram três quarteirões até a Dr. Arnaldo, uma ladeira e tanto. Durante o trajeto, tentei desviar das pessoas o tempo todo, mas o destino me fez trombar com meu passado, jogando-me na cara aquilo que sempre me indignou: ver jovens com sonhos apagados e talentos esquecidos, jogados numa esquina qualquer, perto de um bar, longe da esperança de uma vida justa, digna e cidadã.

Fernando Rizzolo é advogado, coordenador da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-SP. Acesse o blog do Rizzolo: www.blogdorizzolo.com.br. Email: imprensarizzolo@gmail.com
 
 
Um ato de vontade
Postado em 09/03/2010 às 06:00
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Monsenhor Jonas Abib
A história do povo de Deus é uma história de amor e perdão. Deus em Sua infinita misericórdia enviou Seu Filho único para nos salvar. Jesus foi condenado e por amor a nós sujeitou- se a ser preso, flagelado e a carregar a cruz em que seria crucificado, mas não se revoltou, simplesmente perdoou. No alto da cruz, Jesus não escolheu a quem perdoar. Ele perdoou o bom ladrão, a todos os que zombavam dele na cruz e até mesmo os que o crucificaram: “Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Não temos o direito de escolher as pessoas a quem queremos perdoar porque Jesus não fez acepção de pessoas. Não podemos dizer a este eu perdôo, mas àquele não. Isso eu perdôo, mas aquilo não. Dessa vez eu perdôo, mas é a última... Temos a tendência de excluir as pessoas por suas fraquezas e falhas. Não reconhecemos que também nós estamos sujeitos a cometer os mesmos erros ou até piores.

Quando estamos sofrendo, mostramos quem realmente somos. Então, colocamos para fora nossa aspereza, nosso azedume, nossa má vontade. Somos rudes e até cruéis. Reivindicamos nossos direitos e apelamos querendo pagar o mal com o mal. O mundo nos ensina a ser justiceiros e vingativos. Deus é misericordioso e justo, nos convida a viver amando e perdoando.

Não conseguimos liberar o perdão porque fomos machucados ao longo da vida, estamos cheios de mágoas, ressentimentos. Somente a misericórdia de Deus pode nos abrir para o perdão. Estranhamos o fato de que Deus mande perdoar. Mas veja bem: Ele pode mandar, porque perdoar não é um mero sentimento: amar e perdoar são uma decisão. Por isso pode ser objeto de mandamento.

Infelizmente, se Deus não nos mandasse perdoar, não perdoaríamos. Nosso egoísmo é grande. Nosso orgulho é maior. Somos duros de coração. Exigimos justiça, queremos reparação, por isso precisamos perdoar a dívida de todo o coração. O perdão é gratuito. Nós, porém acabamos cobrando para perdoar. Quando uma pessoa nos pede perdão, queremos que ela se dobre, se humilhe diante de nós pedindo perdão, para concedermos o perdão. Só que isso não é perdão, é humilhação! É exigir retratação. A pessoa errou conosco, ela é devedora... mas nós perdoamos de graça: sem exigir nada em troca.

O perdão é um dom de Deus. É Ele que nos dá a graça de perdoar. Precisamos assumir esse dom que o Senhor nos concede, decidindo-nos a perdoar. Senhor, concede-me a graça de um coração e um espírito novos. Decido a amar e perdoar, pois quero descomplicar minha vida. Dê-me esta graça, Senhor!

Monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova e presidente da Fundação José Paulo II. Acesse www.padrejonas.com
 
 
O túnel do tempo e as bolhas de sabedoria
Postado em 09/03/2010 às 06:00
Poderiam ser gotas, pingos e até goteiras que se verteriam sobre nós nos dando o conhecimento, a maturidade e a serenidade para decidir que rumo, qual caminho tomar. Seria bom e evitaria tantos calos e percalços. Mas, não, tem de ser doído, na própria carne, vivido, e muitas vezes nem com esses sacrifícios, marteladas, aprendemos. Cada qual com seu destino. Ninguém pode viver a vida do outro. Pais e mães demoram mais para aprender isso, mas um dia chega.

Tem muitas coisas que, sem viver, não vemos. Amor, uma delas. E é o tempo que define a rapidez com que você consegue descobrir as boas e as roubadas que estão sempre por aí, espalhadas, tal qual alçapões. Pisou. Foi.

- Se for botar chocalho em ladrão, ninguém mais dorme aqui.

A frase, sobre o país, foi dita essa semana pelo meu pai que, aos 92 anos de vida, não tem crenças nem descrenças. Ele apenas afirma, sem dar direito ao contraditório. Ele ouvia o noticiário e acabou, na sua simplicidade de faraó caboclo do Egito, resumindo toda a nossa dificuldade não só em defender pessoas, entendê-las e às suas motivações, mas também de entender por que uns vão ver sol quadrado e outros não. Nunca.

A justiça dos homens. Foi o que me fez pensar no tempo, nas contradições e devaneios da balança virtual onde nós mesmos pesamos as nossas contradições, frustrações e moralidade. Deve chegar um momento na vida que isso acontece de forma natural. Daí essa multidão de velhinhos rabugentos ou o inverso, safadinhos. O que se tem a perder, em determinada altura? Repare no potencial desse exército, se bem acionado. No geral, nós, mais jovens, ainda temos que aguentar sapos, cobras e lagartinhos até chegar nesse patamar nirvanal. Como eles nos diziam quando éramos crianças: temos de comer muito feijão.

O que fizemos? O que deixamos de fazer? Em qual esquina da vida dobramos nossos destinos? Um amigo de 30 anos atrás me manda, da Nova Zelândia, um e-mail, brincando que estava arrependido de não ter, acredite, casado comigo! Outro, amigo de classe, me conta de sua família e dos seus filhos e daqui a pouco, netos. Reencontro aqui e ali personagens dessa história que me levou, de uma forma ou outra, a estar aqui, não lá. O que teria acontecido se fosse diferente? Não tivesse tido de enfrentar a ditadura, não teria a clareza que tenho hoje para rogar por liberdade, dar-lhe o máximo valor. Não tivesse experimentado viver e bater cabeça na parede, qual bolinha de squash, talvez hoje não tivesse a coragem de levantar a voz de forma altiva. Nem dormiria tão bem como durmo, mesmo após a consulta aos conselhos do travesseiro.

Você pensa? Dá vazão a essa extraordinária capacidade humana? No que pensa, no seu íntimo? Tem vergonha de seus próprios pensamentos? Ou evita-os, sempre que pode, substituindo-os freneticamente, massacrando os coitados com os pensamentos de outras pessoas?

Gostaria muito de ter mais tempo para pensar - essa coisa tão diletante e tão valiosa, e que quase esquecemos no automatismo cotidiano das grandes cidades. É preciso estar calmo para o pensar bem. E quem tem estado calmo ultimamente? Até para revisar a própria existência é difícil, podemos acabar sendo generosos ou rigorosos demais.

Estamos preocupados, cheios de inquietudes interiores nossas e de outros que acabam nos atingindo. Agora, para completar, no nosso íntimo, andamos apavorados com terremotos, maremotos e tsunamis, fora outras desgraças vizinhas e correlatas. E o tempo passando cada vez mais rápido, provocativo. Fala a verdade. É ou não é?

Mas, até por conta de ter resolvido fazer essas reflexões públicas, ando me esforçando e de vez em quando sou surpreendida por um pensamento louco. Constante e inquietante, só meu. Despertado por qualquer coisa, pessoa, som, que meu radar capte. Às vezes o pensamento vem com corpo, cabeça, bracinhos e perninhas; completo. Chega decidido e pronto. Sobrevive vários dias e vai embora, depois de ser incorporado. Às vezes o pensamento mal se aguenta nas pernas. Não vivi para ver. Não sei. Esse tipo precisa ser criado e alimentado com o tempo. Há ainda os terrores.

Gosto mesmo é dos apimentados, provocativos, os que me levam para frente. Há os desacorçoados que pinicam. Ficam ali - igual a uma alergia. Tem os pensamentos libélulas e efemérides, que duram pouco mais de um dia, muito parecidos com os sonhos.

Mas, no geral, vejo que o bom do pensar é mesmo poder ser como as borboletas, que trocam suas "peles", que se renovam e ressurgem - várias vidas em uma - até o ocaso.

Marli Gonçalves é jornalista. Acesse http://conteudo.com.br/marli e www.brickmann.com.br. Email: marligo@uol.com.br/marli@brickmann.com.br
 
 
Homenagem às mulheres
Postado em 08/03/2010 às 18:48
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Jenir Neves
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três Lagoas, na figura de sua presidente, Jenir Neves da Silva, felicita a todas as mulheres - profissionais do campo, da cidade, líderes sindicais e políticas, mães, irmãs e companheiras de luta e de vida - pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira (8 de março).

A todas vocês, o meu abraço.

Jenir Neves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três Lagoas
 
 
Mulheres e poder
Postado em 08/03/2010 às 06:00
Estamos comemorando mais um Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, e neste período é muito comum fazermos uma retrospectiva da luta feminina ao longo da história. É claro que é muito importante resgatar o passado e homenagear personalidades como Berta Lutz, por exemplo. Sem ela, não estaríamos comemorando os 78 anos do voto feminino no Brasil.

Neste mês de março sempre se faz um balanço, com estatísticas e números a respeito das mulheres no mercado de trabalho, das diferenças salariais, da dupla jornada (em casa e no serviço), do grau de escolaridade, da participação feminina em postos-chave nas empresas e na política.

Temos muito orgulho das conquistas obtidas pela luta de diversas mulheres mundo afora em prol de mais participação política e igualdade de direitos ao longo dos anos. Sem nos esquecermos do passado, chegamos ao século XXI com mais um desafio: a construção de um modo feminino de fazer política.

Diante disso, não há como negar que, cada vez mais, estamos diante de uma nova mulher. Pesquisas indicam que nós mulheres somos mais versáteis, temos ampla capacidade de planejamento, somos práticas e sentimentais ao mesmo tempo. Estas são características determinadas pela neurobiologia. Diferentemente dos homens, as mulheres têm interesses diversificados entre carreira, família e projetos pessoais. Temos prioridades mais flexíveis, estamos preocupadas com o bem-estar dos outros. E é neste ponto que quero chegar quando falamos da relação Mulheres e Poder.

A minha experiência como política e parlamentar muitas vezes me leva a questionar se estamos fadadas a repetir os mesmo padrões políticos tradicionais, legados pelo patriarcalismo e pelo pragmatismo masculino.

Vejo que a atividade política se reproduz por meio de um modelo histórico e sinto que as mulheres ainda estão tateando na penumbra sobre qual seria o modus operandi feminino de ação política. É preciso criar uma categoria diferenciadora que fuja aos padrões convencionalmente consolidados. Estou falando da superação do modelo tradicional de organização e significação da vida para promover uma maior participação das mulheres na cena pública.

Temos que fortalecer uma espécie de modelo feminino de fazer política. Digo isso porque as mulheres têm uma visão mais holística do mundo e devem aproveitar este potencial e a sua sensibilidade para ajudar a construir ações voltadas para a melhoria real da vida da população.

Infelizmente ainda observamos as brutais desigualdades no campo da participação política. Temos o sistema de cotas, que obriga os partidos a inscreverem, no mínimo, 30% de mulheres nas chapas proporcionais. Mas parece que o instrumento não tem sido eficaz para atrair lideranças femininas com real potencial eleitoral para as agremiações partidárias.

Basta observar a composição atual do Congresso Nacional. Temos 45 Deputadas Federais, correspondendo a 8,77% das cadeiras. E 10 senadoras, o que equivale a 12,34% do total. Ainda é muito pouco. Segundo a ONU, neste ritmo, só teremos uma equivalência entre homens e mulheres no Legislativo Federal daqui a 400 anos.

É preciso criar uma nova consciência do papel da mulher na sociedade e torná-la protagonista das grandes decisões em todos os níveis e áreas de atuação e conhecimento. Não queremos competir com os homens. Precisamos encontrar a receita da parceria e da cooperação entre os sexos, que certamente será benéfica ao País.

Em 2010 teremos pela primeira vez a possível presença de duas mulheres candidatas à presidência da República. É muito bom que isso aconteça; nada melhor para a democracia que o eleitorado tenha múltiplas opções.

Acredito que a escolha do próximo chefe da Nação deva se pautar em questões de gênero, raça ou nível social, mas sim em quem apresentar as melhores propostas para o futuro e tiver verdadeiro comprometimento com a solução dos grandes problemas nacionais.

Além disso, é importante levar em conta a história de vida, conhecimento do País, experiência administrativa, comprometimento político-partidário e credibilidade de cada candidato. É preciso votar em alguém que seja um verdadeiro líder e que, independentemente do sexo, tenha experiência para realizar ações efetivas em prol do povo brasileiro.

Reconheço, contudo, que as mulheres estão pouco a pouco construindo novos caminhos, demarcando espaços que serão fundamentais para a formulação de uma agenda de futuro. Por isso, queremos no poder alguém que possa desenvolver projetos que sejam adequados para a Nação neste momento histórico. Alguém que tenha experiência suficiente para manter a governabilidade, sem precisar de mensalões e de outras artimanhas baseadas na corrupção.

Lembro-me de Dona Ruth Cardoso, mulher engajada, autêntica, inteligente e respeitada por todos os partidos. Ela tinha luz própria e era uma crítica feroz das injustiças sociais. Tanto que criou um novo modelo para as políticas de inclusão brasileira, organizando as bases da rede social que hoje influi na nova maneira de pensar o Brasil.

Dona Ruth, neste aspecto, é o melhor exemplo de como a política pode se vestir de características próprias, ornada de sensibilidade, de senso de justiça e de preocupação ética no trato da coisa pública. O poder assim exercido pode assegurar extraordinários avanços para a sociedade.

Marisa Serrano, senadora da República e vice-presidente do PSDB nacional
 
 
A beleza de ser feminina
Postado em 08/03/2010 às 06:00
O Dia da Mulher é propício para refletir sobre a participação feminina na sociedade. Não são recentes as discussões dos que defendem o feminismo ou mesmo a superioridade das mulheres aos homens. O movimento feminista proporcionou importantes contribuições para nós, mulheres; trouxe reflexões à sociedade como um todo e promoveu a compreensão de que homens e mulheres são iguais no que diz respeito às oportunidades de desenvolverem plenamente suas potencialidades. No entanto, com o passar do tempo, uma compreensão equivocada da luta pela valorização da mulher motivou a “competição”, uma disputa pela igualdade plena entre homens e mulheres. Com isto, corremos o risco de perder uma pérola preciosa: a diferença e a complementaridade entre homens e mulheres que pensam, agem e se expressam de formas diferentes.

A luta pela igualdade é vã, tira de nós mulheres a dignidade, o valor e a essência própria do ser mulher, fazendo com que se busque atingir padrões sociais, que muitas vezes não refletem a natureza feminina. Para o precursor da logoterapia, Victor Frankl, a existência humana é algo único e irrepetível. Ele explica que cada pessoa tem o “caráter de algo único”. É necessária a compreensão de que homens e mulheres têm valor e dignidade próprios pelo simples fato de terem sido criados à imagem e semelhança de Deus.

A mulher tem particularidades no modo de se relacionar, de agir, de lidar com os outros, de cuidar dos que ama. E por que então tentar anulá-las ao querer igualar-se ao homem? A mulher tem reações hormonais únicas, que são belas e que não podem ser desprezadas.

Outra questão que deve ser analisada é o da beleza feminina confundida com sensualidade. É fato que todo ser humano traz dentro de si um impulso natural para o prazer. A sensualidade gera na mulher uma elevação da autoestima. Por outro lado, o comportamento sensual de uma mulher pode banalizar a sexualidade e fomentar um ramo da indústria que tem compromisso apenas com o lucro e, que muitas vezes, desvaloriza a mulher, transformando-a em algo essencialmente externo, corporal, físico, colocando de lado a essência da alma feminina.

É certo que as qualidades físicas são as primeiras a chamarem a atenção, mas não se pode esquecer que o verdadeiro valor da pessoa está no seu “caráter de algo único”, por isso uma acentuação excessiva na beleza física pode desvalorizar a pessoa na sua essência. Cuidar do próprio corpo, da aparência é saudável, no entanto, não se pode esquecer que a verdadeira beleza vem do transbordamento do interior.

Porque, então, desvalorizar a essência feminina, algo que transcende o que é externo, que é belo e criado por Deus? Uma beleza que dispensa a apelação de saias curtas e decotes, ao exagero na valorização da dimensão física da mulher.

É preciso deixar acontecer o transbordamento do interior para que apareça a verdadeira beleza da mulher. Beleza que está na sua essência, na alma feminina, afetuosa, cuidadosa, terna, sem deixar de ser firme, batalhadora. Esta beleza se reflete no exterior, no físico, no brilho do olhar, no sorriso, no jeito de andar, de se vestir, de falar, de amar. 

Manuela Melo, psicóloga, é missionária da Comunidade Canção Nova
 
 
Mulher, com cabeça e tudo
Postado em 08/03/2010 às 06:00
Começou. Vem de todos os lados. De um dia, ou melhor, de um mês para outro, a mulher entra na ordem do dia, quase mais que no Carnaval, quando o importante é ter peito e bunda, e sacudir os dois. Já recebi toda sorte de mensagens comerciais, estéticas e chatas sobre o Dia da Mulher, de gente achando e fazendo que é um dia igual a qualquer outro desses comerciais. Juro: recebi um e-mail que falava de uma promoção de viagem só para mulheres, para Las Vegas. Um trecho dizia algo parecido com isso : "O presente para a sua mulher que ela retribuirá na volta". O roteiro inclui idas aos cabeleireiros, shows de strippers, passeios de limusine, bebida. Só não deixou claro se vai ter comida. Mulher gosta de ser bem.

Ou seja, o presente para a mulher é se ver livre dela por alguns dias. E, da parte dela, ganhar e saber o que o mundo livre pode lhe proporcionar longe dos olhos dos fiascos de seus maridos.

Não vou ser a primeira, graças, a afirmar isso, mas preciso repetir. Mulher que é mulher sabe que é mais do que toda essa turba insiste em pechar. Mulher tem cabeça, não é bacalhau nem camarão, embora algumas estejam se vendendo por quilo. Mulher que é mulher sabe o quanto tudo é difícil e ainda - ainda, ainda,ainda! - tão cheio de preconceitos e proibições. Mulher que é mulher sabe ou pelo menos deveria saber que o Dia da Mulher é uma data política, que marca nossos primeiros gritos para o mundo: Quero votar! Quero dar! Quero ter prazer! Quero trabalhar! Eu posso, você também! Não se submeta!

E sabe que é data para lembrar de continuar gritando, o que ainda faremos por muito tempo: Eu posso! Eu sei! Eu tenho que ganhar igual! Não sou prisioneira! Eu posso!

Já estou até vendo as declarações de certas pessoas, mulheres, sim, mas mulheres a quem não foi dado o dom de perceber isso fora de vontades e horários eleitorais, que fazem de tudo uma grande massa das massas pelas massas. Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é vestir a capa e o gestual da rudez masculina. A mulher não é mais mulher ou mais legal porque trabalha hoje como caminhoneira, lixeira, porque pula de paraquedas, porque manda e desmanda, o cacete a quatro, ou porque pode ser ministra, presidente, chanceler ou ditadora. Chega de espanto. Isso é normal. Mulher é gente, na geral. E o que gente faz a mulher pode fazer. Só que antes não deixavam a gente fazer algumas dessas coisas, nem quando precisávamos.

Quem não sabia que era assim é que fica espantado hoje em ver as "rachas", "rachadas" - entre outros apelidos tão carinhosos como porcos espinhos- em cima de ondas altas, no topo das montanhas, manipulando células, mandando ver.

A mulher precisou. Sair para trabalhar, criar, pintar e bordar, além de cozinhar. Ter o filho que queria, sem vir junto o penduricalho que o inocula. A mulher quis ser ouvida com sua linguagem e visão particular, mostrar sua cara ao mundo. Cara que fica na cabeça, que pensa, antes de ser bonita ou feia.Sem essa de Marte e Vênus. Somos todos terráqueos. Apenas alguns bem mais atrasados que outros, que ainda jogam pedra, mutilam clitóris, e impõem véus e suplícios. Como os muitos brasileiros que ainda subjugam meninas-crianças, que matam e envenenam, que roubam a estima e a confiança das que encontram pelo caminho, e agora na internet.

Somos diferentes, sim. Não há dúvida. Nem melhores ou piores. Diferentes, de uma diferença que deve ser aproveitada, expandida, comemorada. Vemos as cores e a vida de forma diversa e mais rica. A força que não temos pode aparecer do nada quando precisamos, mais ainda se for para defender o que e quem for nosso. Ainda não tomamos Viagra ou similares. Uma música, um toque, uma poesia, nos eleva, de graça. Sofremos,choramos, batemos os pés, mexemos as mãos e jogamos os cabelos como só nós sabemos. Que nos desculpem os travestis e etc. Mas igual, igual que nem, não dá para ser. Nem com a operação de corte e "embutimento". Nosso andar é rebolado, nosso pescoço mais fino, nosso cheiro é atraente, nossas roupas, sapatos e bolsas mais legais. Uma calcinha, por mais barata que seja, é mais legal do que uma cueca.

Nossa voz pode ser fina. Mas sabe engrossar.

Nossas mãos podem ter calos, mas as unhas estarão pintadas. E, mesmo que curtas, podem fazer um estrago.

Do nosso peito sai leite. Vertemos sangue.

Somos a vida. Mas a violência ainda nos oprime.

Marli Gonçalves é jornalista. Acesse http://conteudo.com.br/marli e www.brickmann.com.br. Email: marligo@uol.com.br/marli@brickmann.com.br
 
 
A desastrosa política externa do governo Lula
Postado em 06/03/2010 às 11:30
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Iranilson Alves da Silva
Já tivemos em diversas oportunidades, tecer críticas contra essa malfadada política externa do governo Lula e nãoé de hoje. O clímax da estupidez, do contrassenso, do contraditório dos atos e fatos praticados e comentados pelo presidente emal assessorado por um moleque de recados cuja situação até hoje ninguém entende, pois este cidadão, oriundo das fileiras petistas, Marco Aurélio Garcia, não é diplomata, não é ministro mas tem mais voz e vez junto ao presidente que o próprio chefe da diplomacia, Celso Amorim, um títere, umventríloquo que brinca de ser ministro. Ora, se Lula ouve mais Garcia por quê não o nomeou ministro desde o início do primeiro mandato ? As burrices e idas e vindas que a diplomacia brasileira comete deve deixar o Barão do Rio Branco, arrancando os últimos fios de cabelo.....da barba!!! É uma vergonha para nós brasileiro ver os fora, as gafes cometidas por um presidente que passa a maior parte do seu tempo viajando e nos enchendo de vergonha pelas atitudes que toma. Desde o início do governo, Lula mete os pés pelas mãos, intromete em assuntos que não nos dizem respeito e coloca em xeque a nossa capacidade de articulação em níveis mundiais.

Lula se envolveu com o que de pior existe em termos de lideranças mundiais. De forma controversa e pisando em nossas tradições democráticas, apóia a maioria dos ditadores, genocidas e assassinos de plantão, travestidos de presidentes dessas republiquetas de bananas, de goiabas e países africanos. Faz companhia descaradamente com Muamar Gadafi, da Líbia, um assassino, um déspota insuperável. Lula é fã de carteirinha deste cadáver insepulto, Fidel Castro, um ditador sanguinário que transformou a bela Cuba numa verdadeira prisão onde os mais elementares princípios de liberdade e direitos civis não são respeitados. Ainda recentemente Lula esteve em Cuba de beijos e abraços com esse monstro cubano e no mesmo momento um preso político morria de fome nas masmorras daquele país infeliz. E nosso presidente num gesto covarde sequer tocou no assunto com Fidel ou Raul Castro. Uma vergonha para o Brasil, pois Lula sequer devia ir à Cuba.

Nosso presidente apoia outro ditador assassino, um facínora que mata seus concidadãos como se matam baratas - o líder iraniano, Hammadinejah, que prega a destruição de Israel. Lula se faz de desinformado e não condena aquele país. Lula vive bajulando esse outro projeto de ditador, Hugo Chávez Frias, que está destruindo o povo e a nação venezuelana com suas idéias malucas e nosso presidente aplaude as iniciativas nada republicanas e democráticas desse verdadeiro criminoso. A presidente argentina Cristina Kirtchner é outra que anda pelas sendas do autoritarismo e tenta calar a imprensa, conta sempre com a apoio de Lula. Evo Morales fez o que fez, invadiu as propriedades brasileiras, humilhou nossos funcionários e confiscou bens da Petrobrás e o nosso presidente, num gesto contrário aos interesses do Brasil vive entregando o patrimônio suado do povo brasileiro aos estrangeiros.

De forma equivocada enviou milhares de soldados brasileiros para morrerem de graça lá naquele pantanoso Haiti. Lula vive sonhando com uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU que não tem a menor importância nem utilidade para o povobrasileiro. E para encerrar,Lula apoiou e deu guarida para um presidente deposto, esse Zelaya, de Honduras, gerando um problema, um mal estar entre Brasília e Washington. Agora Lula condena a presença dos súditos da Rainha Elizabeth IInas Ilhas Falklands (Malvinas para os argentinos), pela simples alegação da distancia entre o arquipélago e a Inglaterra. Aqui Lula capricha na falta de visão mundial, pois se formos levar em conta, aFrança deveria abandonar a Guiana Francesa e os Estados Unidos, saírem do Haway. Isso só vem comprovar a estupidez eburricede como a nossa diplomacia vem sendo administrada.

Iranilson Alves da Silva é jornalista e acadêmico de Direito de Araçatuba (SP). Email: iranilson.iranilson@bol.com.br
 
 
Condomínios: evolução permanente
Postado em 05/03/2010 às 17:45
Desde que surgiram os primeiros condomínios modernos em São Paulo muita coisa mudou. Ilha do Sul, Portal do Morumbi e Martinelli são marcos na história da cidade. Certamente não imaginavam as dificuldades futuras na administração dessas comunidades.

A cidade começou a se verticalizar após a II Guerra Mundial. Foi, porém, a partir das décadas de 1970 e 1980 que surgiram os primeiros problemas. Naquela época, as previsões orçamentárias eram anuais e as arrecadações trimestrais e antecipadas. Atualmente, o orçamento do condomínio é mensal e as arrecadações ocorrem em até duas parcelas.

Além da insegurança existente a partir da atual ameaça de assaltos, o aumento da carga tributária e das funções administrativas é o maior problema dos condomínios e suas administradoras.

Com a redução da multa por atraso no pagamento da cota condominial de 20% para 2%, o crescimento da inadimplência tornou mais complexa a administração dos condomínios. A situação se normalizou com a Lei nº 13.160, que possibilitou o protesto dos boletos dos devedores. Os efeitos foram altamente benéficos àqueles condôminos bons pagadores, que são a grande maioria.

Está na hora de fazer uma lei específica para os condomínios, talvez nos moldes da atual Lei do Inquilinato, modificadadepois 18 anos de vigência. Terá de ser modificado, no Código Civil, o capítulo referente ao condomínio edilício. Mas não dá para tirar esse novo formato de lei do bolso do colete, de um dia para o outro. Ainda há muitas questões em aberto a serem definidas, itens de interesse para 16 milhões de pessoas que moram ou trabalham em condomínios no Estado de São Paulo.

Os condomínios são o último elo da cadeia imobiliária, um universo para o qual toda a economia está olhando em 2010. Eles movimentam mais de R$ 8 bilhões anualmente, respondem por 300 mil empregos diretos e crescem mais rapidamente do que as cidades onde estão. São a mais moderna forma de moradia. São as estrelas do mercado imobiliário.

Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP
 
 
Consultoria: O Lado Sombra do Cliente...
Postado em 05/03/2010 às 09:05
Consultor é um descobridor! Esse o particular fascínio da nossa profissão. Com frequencia, a empresa-cliente, a consulente, ou não sabe bem qual seu "real" problema, não quer ou não pode revelá-lo integralmente ou, no mais das vezes, convive com opiniões contraditórias ou "soluções" e propostas que se excluem entre si, defendidas por acionistas, sócios, gestores, interessados com visões diferentes.

Com frequencia, a empresa-cliente, a consulente, ou não sabe bem qual seu "real" problema, não quer ou não pode revelá-lo integralmente ou, no mais das vezes, convive com opiniões contraditórias ou "soluções" e propostas que se excluem entre si, defendidas por acionistas, sócios, gestores, interessados com visões diferentes.

Com efeito, toda empresa ou negócio tem -digamos -, seu lado de “luz” – aparente, óbvio, claro, aparentemente unânime e outro - seu lado "sombra", sua realidade oculta, sorrateira e desconhecida e, por vezes, até surpreendente.

Lembramo-nos de um cliente que contratou a Consultoria para desenvolver trabalho de Planejamento Estratégico, um programa, um roteiro mestre, para seus próximos três, quem sabe cinco anos: estavam em dúvida...

Seus quatro sócios, todos ótimos profissionais, amigos de longos anos, pediam ajuda solicitando avaliação de seus reais recursos, seus mercados alternativos, seus objetivos mais apropriados e, potencialmente, mais lucrativos, a longo prazo.

Após algum tempo de pesquisa, entrevistas, e já ganhando a confiança dos diretores acabou descobrindo o Consultor- coordenador dos trabalhos- que, na verdade, o que cada sócio queria era se retirar do negócio, pendurar as chuteiras, vender sua parte e ir para casa, para um merecido descanso após aqueles longos e trabalhosos anos de exitosa construção do negócio.

Mas, como confessar isso aos três outros sócios? E sem abalar sua união, sem perda de valor do negócio, do ponto de vista do mercado e, ainda, embora amigos, sem risco de reduzir seu poder de barganha na venda de sua parte aos sócios remanescentes? O lado 'sombra' da empresa, só agora, era evidente para todos - a Consultoria mudou o rumo...

Às vezes, a coisa chega ao burlesco. Como aquele presidente da multinacional, de origem européia, que pediu nossa ajuda para um problema "cultural" de sua empresa. Embora possuísse uma biblioteca razoável, em livros e documentação técnica, ninguém a consultava. Examinamos o assunto. A tal da biblioteca ficava o tempo todo fechada a sete chaves, aos cuidados de um compenetrado e zeloso funcionário que não "emprestava" a ninguém, com medo de "sumirem" com seus preciosos alfarrábios...

E não é de hoje à irresponsabilidade, a falta de visão do todo. Como o da multinacional americana que pretendia vender uma unidade fabril de setor em que não era um ator de peso. Com estudos quase concluídos, relatórios parciais analisados e aprovados, honorários quitados, 1ªs sondagens bem recebidas, surpreendeu a todos a ordem da matriz para fechamento, de imediato, da fábrica, porque não poderiam perder tempo com insignificante unidade no portfólio internacional do grupo. Fechada abruptamente enfrentaram greves, sindicalistas à porta, ações trabalhistas e desvalorização dos equipamentos, terreno e construção, os quais foram arrematados em leilão.

Por essas e outras, a Consultoria tem seu lado de ciência e outro -importante - de criação artística. O Consultor desvela e pinta de cores e luz o que jaz oculto, esconso, à sombra, intencional ou não e, talvez, resida exatamente nisso o irresistível desafio gratificante da profissão.

À época aprendíamos observando, lendo a incipiente literatura e trabalhando.

Hoje, felizmente, já contamos com cursos para Consultores.

Luiz Affonso Romano e Paulo Jacobsen, coaches de consultores e professores dos cursos de Consultoria. Presidente do IBCO e membro honorário do IBCO, respectivamente. Acesse www.ibco.org.br
 
 
 
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