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Como lidar com o medo em crianças
Postado em 01/09/2010 às 09:22
O medo é uma reação instintiva essencial, que nos prepara fisiologicamente para lutar ou fugir diante de situações ameaçadoras. É um estado emocional que ativa os sinais de alerta do corpo diante dos perigos.

Todos nós sentimos medo, muitas vezes sem qualquer sentido ou razão lógica. A criança vive a maior parte do tempo no mundo da imaginação, da fantasia, confundindo muitas vezes as duas realidades, expressando medo muitas vezes sem um motivo aparente.

Os adultos às vezes não sabem lidar com essas situações e não dão a devida importância ao fato. Com a melhor das intenções chegam até a repreender a criança, achando que se trata de “manha”, principalmente se não encontram uma razão que justifique aquela reação.

Quando a criança tem medo do escuro, acorda assustada e vai para a cama dos pais, a reação mais comum é permitir que ela fique e durma junto com os adultos, o que pode virar um hábito. Quando tem medo do mar ou da piscina, muitos pais pensam que a melhor maneira de tranquilizar a criança é mostrar que não há nada a temer, obrigando-a a enfrentar a situação.

Essas atitudes podem provocar alguns desequilíbrios psicológicos e emocionais, piorando ainda mais o quadro. É importante ouvir a criança, entendendo que o que diz é verdade para ela. É preciso saber ouvir e respeitar o sentimento da criança, para depois buscar a melhor forma de conversar com ela sobre aquilo que a amedronta.

Expor a criança a situações nas quais ela se sinta insegura só vai causar sofrimento, ansiedade e insegurança. Um medo que poderia ser superado no processo natural de desenvolvimento, pode se transformar em um medo fóbico, deixando-a mais assustada e agitada.

É natural que o medo apareça mais forte quando acontece algum evento: quando a criança escorrega e cai na piscina funda ou se perde dos pais na praia. Dependendo do tamanho do susto e do excesso de preocupação dos pais, ela pode ter uma reação exagerada diante de situações simples. Criança também aprende por imitação e, por perceber o desespero dos adultos diante da situação, pode desenvolver um padrão de resposta fóbico.

É necessário mostrar que algumas coisas são realmente perigosas e que devem ser evitadas, pois estabelecer limites faz parte do processo educacional. Orientar que escadas, piscinas, tomadas ou janelas podem representar riscos é fundamental, mas sempre com firmeza, congruência, segurança e carinho.

É importante evitar a utilização do medo da criança como meio de poder, para obter obediência, como por exemplo: “se você não me obedecer vou deixar o bicho te pegar” ou “o monstro vem te assustar porque ele não gosta de criança desobediente”.

O diálogo e a paciência são ferramentas importantes no processo de desenvolvimento emocional e psicológico da criança, principalmente quando ela ainda não consegue se expressar e dizer o que sente.

É responsabilidade dos pais ajudar a criança a enfrentar esses temores e procurar identificar a origem ou mesmo a existência do medo, tarefa que exige muita atenção e dedicação. Brinque com a criança, entre na fantasia dela. Com experiências lúdicas os adultos entendem melhor os anseios dos pequenos e esses aprendem a enfrentar várias situações onde o sentimento de medo aparece.

Em geral, a criança supera a ansiedade, a insegurança e medos menores com o apoio e amor dos pais. Um simples abraço é suficiente para afastar perigos reais ou imaginados, pois os adultos significativos representam criaturas poderosas, capazes de protegê-las de qualquer coisa que as ameace.

Walkyria Coelho é psicóloga e instrutora da SBPNL (Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística).
 
 
Vida de palhaço
Postado em 30/08/2010 às 08:16
Você conseguiria viver sempre desempregado?

Saiba que em algumas profissões esse fator é constante. Todas em que os trabalhos forem cobertos por um contrato a fase operativa terá começo e fim.

Uma em especial, na classe dos atores, eternos desempregados, merece nossa reverência: a do palhaço.

A nobreza não reside apenas na profissão, mas, principalmente, na escolha.

Por que alguém escolheria esse caminho difícil, sem garantia de futuro, onde o circo como organização sequer é mencionado como carreira e exemplos em escola de administração?

Algumas escolhas não dependem da racionalidade da mente, nem do bater mais forte do coração, mas do apelo da alma.

Que força maior é essa que leva o homem a abraçar essa missão, sem que dela se afaste, ainda que o dinheiro pouco veja?

Alma de artista!

O doce veneno da arte envenena o sangue e o faz ouvir e ver o que outros não podem.

Para o palhaço o aplauso é importante, mas o riso...ah, o riso! Fundamental e necessário!

Fazer chorar não é difícil, mas com que mágica nos arranca sonoras gargalhas?

Olhe, veja, o público ri enquanto o palhaço chora e apanha!

O ator palhaço, homem empresário, carrega consigo sua empresa, instalando-a onde encontrar um terreno baldio. Inicia sua propaganda e faz sua prospecção.

Lonas estendidas, tendas armadas? Respeitável público...

Viva, hoje teremos espetáculo!

Muitas cores, músicas e risos. A casa não está cheia, mas que tal um pesquisa?

Que público é esse que o circo atraiu? Ora, crianças de todas as idades, de alguns dias até aquelas que têm mais de cem!

Encerrado a última sessão hora de fazer as contas. Alguém ai viu a planilha de custos?

Planilha de custos? Interessante, como se faz o controle do circo?

Fluxo de caixa? O palhaço vai fazer isso? Vai ser engraçado, não vai?

Nossa, o palhaço tem cartão de crédito e talão de cheques?

Tem, mas só quando as coisas vão bem!

Hum, mas se o circo não tem clientes fiéis que compram todos os meses, como o palhaço faz as projeções de vendas?

Fácil, ele deixa essa tarefa para o homem da corda bamba!

O controle financeiro é atribuição do trapezista, quando precisa de dinheiro ele dá um pulo nos bancos.

A área de recursos humanos é trabalho dos bailarinos. Errou, dançou!

Que piada sem graça!

Um mundo dividido entre a magia da fantasia e a dura realidade empresarial.

Sorocaba, bela cidade, sempre acolhedora, recebeu sempre com carinho a arte circense.

No nosso bairro, a vila Hortência, durante anos, no mesmo local, lá estava Pedro Osório, o palhaço nhoc-nhoc e índio Ordep, proprietário do Circo Ordep, fazendo a alegria do lugar.

A garotada? Esta corria para, em desfile, sair pelas ruas vestindo os cabeções, ajudando a fazer a divulgação!

Assim como Pedro, outras tantas famílias circenses, pelo que sei, que fazem parte da história do circo no Brasil vivem hoje em Sorocaba e cidades da região.

Quem bom, uma oportunidade para reuni-los e criar a escola da alegria!

Palhaço e empresário, gestor e artista, do escritório ao palco, do caixa às caixas. Risos?

Começou o espetáculo?

Sim, mas para ele nunca termina!

Obrigado Pedro Osório por tantas alegrias!

Ivan Postigo, diretor de gestão empresarial. Email: ivan@postigoconsultoria.com.br. Acesse www.postigoconsultoria.com.br
 
 
Quanto a sua saúde afeta a sua produtividade?
Postado em 29/08/2010 às 07:00
Quando você pensa em adiar suas tarefas em função das urgências, a primeira atividade que sai da lista são seus compromissos pessoais, principalmente os relacionados à saúde, não é verdade?

Temos uma mania insistente de priorizar terceiros e deixar de lado a nossa própria vida. Porém, essa escolha acaba tendo um preço alto - e aprendi isso na pele. Se você não tem tempo para seu corpo, ele até é paciente, mas uma hora se cansa e o obriga a ter tempo para cuidar de si, fazendo com que fique de cama ou até mesmo algo pior.

No dicionário da saúde existem duas palavras que definem essa situação. A primeira é o Absenteísmo, esse termo significa que você não pode ir trabalhar devido a alguma condição de saúde. A segunda é o Presenteísmo, ou seja, você vai trabalhar com algum problema de saúde crônico como dores de cabeça, dores lombares etc.

Medir o absenteísmo é fácil para as empresas, basicamente resume-se em avaliar a quantidade de faltas devido a problemas de saúde. Já o presenteísmo é mais complicado, é necessário ter uma equipe de saúde atenta na empresa para criar algum tipo de indicador.

Independente do que esteja passando, é preciso entender que se você não priorizar sua saúde, a sua produtividade pode cair drasticamente. Esse ano comecei a ter um leve enjôo no final do dia, no início achei que era alimentação, depois que era algum grau que voltou na vista devido à cirurgia que fiz no passado, enfim, deixei para lá por acreditar que tudo isso seria “frescura”.

Nessa época, o meu nível de execução reduziu aproximadamente 30%, quase três horas por dia. Parei de realizar algumas atividades importantes para mim e todos os dias após às 15h30, praticamente não conseguia fazer mais nada por estar me sentindo mal. Então me dei por vencido e fui ao médico, quando descobri que era simplesmente uma labirintite. Iniciei o tratamento e voltei a realizar minhas tarefas normalmente.

De que adianta ter todo o tempo à disposição se você não tem saúde para aproveitar? Não existe outra maneira de aproveitar o melhor o tempo se não priorizar o importante: VOCÊ.

· Que tal agendar um check-up geral na sua vida?

· Que tal começar algum tipo de esporte? Nem que seja caminhar no seu bairro todos os dias com sua família, com seu cachorro ou com seus pensamentos?

Lembre-se: tempo não serve de nada sem saúde. Você precisa ter tempo para ter saúde e saúde para usar seu tempo! Por isso, cuide de você enquanto é importante, pois quando virar urgente o prejuízo é grande.

Christian Barbosa, especialista em gerenciamento do tempo e produtividade pessoal e empresarial. Acesse: www.triadps.com.br e www.maistempo.com.br
 
 
A culpa é de quem?
Postado em 29/08/2010 às 05:00
Por que nos sentimos culpados? Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já experimentamos o sentimento de culpa. Não ficar em casa com os pais para ir a uma festa; não ligar para o amigo por não querer vê-lo naquele dia; deixar de realizar atividades pessoais para dedicar esforço e atenção à profissão, são algumas das decisões que podem, posteriormente, nos agregar a sensação de que somos responsáveis somente por aquilo que não fizemos. Mas, e as tarefas que escolhemos fazer? Como equilibrar realização e culpa?

Para as mães, a aversão as escolhas de suas tarefas diárias faz com que a sensação de estar agindo de forma incorreta tome conta da sua essência. Um estudo realizado pela Universidade Colúmbia de Nova Iorque (EUA) e divulgado na primeira semana de agosto deste ano, revelou que, no primeiro ano de vida da criança, o trabalho materno não afeta significativamente no seu desenvolvimento emocional ou na sua capacidade de aprendizado no futuro.

A pesquisa americana, realizada durante sete anos com mais de 1.000 crianças, conclui que a mulher não precisa se martirizar por não acompanhar o pequeno nos primeiros momentos da vida dele. Ainda assim, é de duvidar que as mães deixem de se culpar pela ausência nas descobertas do dia a dia da criança. Esse fato pode ser explicado pela cobrança imposta pela sociedade à mulher e, também, a própria figura feminina que mantém um grau alto de exigência do cumprimento de suas atividades como mãe, esposa e profissional.

Por que somos tomados por esse sentimento que tanto nos machuca e por vezes perdura por um longo tempo? As pessoas costumam tomar decisões no chamado “piloto automático”, deixando de lado a consciência do corpo, mente e alma naquilo que estamos a realizar. Então vem a culpa, essa tende a ser uma resposta do nosso verdadeiro EU, aquele que realmente sabe o que importa para nós. Em algum momento de nossas vidas, por algum motivo, a missão que definimos é deixada em segundo plano. Esquecemos os objetivos e metas que estabelecemos para a nossa existência e passamos a valorizar as necessidades externas e as cobranças alheias.

Retomar os desejos do passado e ser sincero com o verdadeiro EU pode não ser tão simples, pois isso significa quebrar a rotina, o condicionamento da conformidade. E é por isso que nos culpamos em deixar a criança aos cuidados de outros tutores, enquanto nos estabelecemos profissionalmente, ou seja, ainda que difícil, a culpa passa a ser um caminho mais simples. Se pensarmos por outro lado, o estudo indica que a ausência pode ser compensada por fatores como a boa qualidade nos tratamentos médicos, a harmonia familiar, a segurança financeira e até a sensibilidade mais aguçada da mãe que se realiza no trabalho.

A missão é o despertar, é a consciência de que não estamos aqui por acaso, que existe um caminho de crescimento e desenvolvimento a ser seguido de acordo com nossos valores e somente nós somos os responsáveis por cada passo nessa caminhada rumo ao desejado. Definido esses conceitos é hora de agir, você verá que a colheita será de realizações. Quando agimos de acordo com nossos valores, não somos tomados pela sensação de omitir algo e conseguimos dar continuidade a nossa jornada. Diariamente temos a oportunidade de definir quem somos através de nossas escolhas, que vai desde a roupa que será usada para ir ao trabalho até se iremos voltar a padaria para devolver o troco que estava errado. São essas escolhas que moldam nosso caminho, tornando-o mais leve ou cheio de pedras. O segredo é justamente esse, ter objetivo, fracionar nossa missão traçando metas e transformando-as em ação.

Se houver dúvidas entre ser mãe ou se dedicar a uma carreira profissional, pare, ouça apenas seu coração, sua consciência, com base em seus valores e crenças. Saiba que muitas vezes buscamos em outros lugares as respostas que estão dentro de nós. Mentalize seu objetivo, faça um balanço da situação, avalie se existe um meio termo e, caso não haja, perca o medo de decidir pois quando a escolha estiver pautada naquilo que você realmente acredita, será a decisão correta, não para os outros, mas para você, e é isso o que importa. Viva suas decisões sempre de forma intensa, assim, se tiver que se arrepender de algo será das atividades que realizou, jamais de algo que deixou de fazer.

Anderson Cavalcante é administrador, empresário e escritor. Acesse www.andersoncavalcante.com.br
 
 
Burocracia e pouco incentivo dificultam negócios
Postado em 28/08/2010 às 11:00
Pequenas e médias empresas são importantes geradoras de empregos e renda no Brasil, mas sua participação nas exportações ainda é baixa. Explorar oportunidades de negócio no exterior exige o conhecimento de aspectos básicos do processo de exportação e, também, uma forma de incentivo governamental mais eficiente.

A participação das médias e pequenas nas exportações seria importante para melhorar o desempenho da economia nacional, mas infelizmente o modelo exportador brasileiro privilegia apenas as grandes organizações. Para exportar, as pequenas e médias enfrentam várias barreiras, entre elas os elevados custos burocráticos.

Devido à insuficiência e também à ausência de financiamentos destinados à produção e comercialização, fica difícil oferecer garantias e preços competitivos no mercado externo. Além disso, as pequenas e médias têm pouco conhecimento sobre técnicas de comércio internacional e do mercado em que poderão atuar. Enfrentam, ainda, grande concorrência de países com preços mais competitivos, como os asiáticos, por exemplo.

As pequenas e médias ainda têm a desvantagem de não serem tão ágeis quanto as grandes para conquistar e manter clientes no exterior. Sem capacidade competitiva, enfrentam problemas para recuperar créditos fiscais e aumentam a sua dívida junto ao governo, o que prejudica a situação da empresa no mercado.

Diversos países, como a Itália e os Estados Unidos, possuem políticas de incentivo às exportações para empresas de menor porte. Eles valorizam as pequenas e médias e classificam-nas como geradoras de emprego e renda e promotoras do desenvolvimento. Por sua vez, as brasileiras, sem incentivo, acabam produzindo para o mercado interno e sofrem a concorrência de empresas estrangeiras. Os entraves vêm desde as limitações estabelecidas por instituições de crédito para investimento em produção, passando pela burocracia, guerra fiscal e legislação tributária e trabalhista, que não são justas nem adequadas.

Além disso, há a competição com os produtos importados, muitas vezes de qualidade duvidosa, mas fabricados por organizações que têm linhas de crédito com taxas de juros atraentes em seus países. Recente pesquisa do Ibope aponta que 20% das companhias brasileiras gastam pelo menos R$ 300 mil ao ano com rotinas burocráticas, considerando despesas com trabalhadores, profissionais terceirizados e emissão de documentos.

Mediante esse panorama, o mercado nacional acabará se transformando em mero distribuidor de produtos importados ou, na melhor das hipóteses, em organizador de linhas de montagem. Esta situação foi amenizada há algum tempo para o setor de calçados, quando o governo decidiu aumentar as taxas de impostos para importação, o que tornou os produtos brasileiros um pouco mais competitivos no mercado. Esta medida viabilizou novamente os negócios no setor, que estava em queda.

Na contramão deste exemplo, temos a indústria têxtil, comprometida diante da concorrência com produtos importados, principalmente chineses. As tecelagens estão se extinguindo no Brasil: exportamos o algodão, mas o produto final vem de outros países, como a China.

Mesmo assim, a carga tributária nacional continua muito alta em comparação com países mais desenvolvidos como Espanha, Alemanha, França e Suécia. Prova disso é que até o término de julho último, o Brasil ultrapassou R$ 700 bilhões em arrecadação de tributos advindos da União, Estados e Municípios. Verifica-se na riqueza gerada, que a maior fatia do bolo vai para os cofres públicos.

O Brasil figura entre os dez países com a maior carga tributária do planeta, porém, diferentemente dos demais não disponibiliza a arrecadação em prol da sociedade. O consumidor, que já é onerado com impostos incidentes sobre renda, propriedade de bens móveis e imóveis, operações financeiras e transmissão de bens, entre outros, tem que arcar, ainda, com os encargos transferidos pela cadeia produtiva.

José Chapina Alcazar é presidente do Sescon-SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo)
 
 
Entre erros e acertos
Postado em 28/08/2010 às 09:00
Quando aos seis anos de idade me mudei com minha família da Bolívia, onde nasci, para Troy, nos Estados Unidos, logo tive que me acostumar com a casa, o idioma, a cultura e os amigos. Tudo novo. Além do fato de eu não ser loiro e de olhos azuis, como a maioria das pessoas locais, lá pelos 16 anos percebi que, conforme o tempo passava, minhas calças continuavam me servindo, não ficavam curtas como a de todos os outros garotos. Conclusão: eu seria um baixinho. Quando me dei conta disso, recordo que me senti desafiado a ser um sucesso. Já que não cresceria em altura, seria, então, um grande profissional.

Aquela determinação precoce pode soar engraçada agora. No entanto, também demonstra que podemos, a qualquer momento, encarar o desafio de mudar o rumo da nossa trajetória, para chegar aonde desejamos, desde que o medo de errar não nos impeça de ousar,

Hoje, quase meio século depois daquela, digamos, implacável constatação, lanço meu primeiro livro, “Erre Mais”, no qual dou 65 conselhos sobre liderança, relacionamento, demissão, autoimagem, empreendedorismo e aposentadoria, entre outros assuntos relacionados ao universo profissional. São 65 porque é a minha idade atual, com a qual me sinto bem e feliz, preparado para aprender e contribuir com o bem-estar e a evolução das pessoas.

Mas por que aconselhar as pessoas a errarem mais? Porque acredito que é praticamente impossível chegar ao sucesso sem passar por algum fracasso. E esse pensamento não se resume somente ao universo corporativo. Aprendi, ao longo do tempo, que é importante arriscar e se permitir errar; que não temos porque temer se lançar ao desconhecido, ainda que o medo nos ronde o tempo todo.

Executivos, como todos os seres humanos, não estão imunes aos erros, muitas vezes, fatais para o negócio. Mesmo os mais bem-preparados podem cometer deslizes históricos, como o todo-poderoso Thomas Watson, então presidente da IBM, que em 1943 filosofou que só haveria mercado para uns cinco (cinco mesmo) computadores em todo o mundo. Nem o gênio Bill Gates escapou da derrapagem: há três décadas previu que 640 KB de memória deveriam ser suficientes para qualquer pessoa.

Guardadas as proporções, o erro faz parte dos avanços, das descobertas e das invenções, e é parte fundamental na aprendizagem. O próprio Bill Gates, cujo vacilo citamos, defendeu certa vez que deveriam ser premiados os autores de determinados erros que levassem a empresa a refletir sobre seus processos e evitar tropeços maiores. Errar, segundo os cientistas, aumenta as chances de acertos no futuro.

Para ter sucesso, a empresa deve desenvolver a cultura da inovação e, para isso, precisa incentivar entre os gestores a ousadia, a criatividade, a autonomia na tomada de decisões e a capacidade de correr riscos. A maneira como enfrentará esses riscos e obstáculos é que determinará o sucesso ou o fracasso da empreitada.

Mais humildes que os executivos, os cientistas admitem que só chegam à certeza por meio de um interminável processo de tentativa e erro. A humanidade agradece.

Marcelo Mariaca é presidente do Conselho de Sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School.
 
 
O direito de propriedade
Postado em 28/08/2010 às 07:00
Propriedades rurais têm sido invadidas em diversas partes do país e os poderes constituídos nenhuma providência tomam para inibir e punir essas ações criminosas.

Quando se discute o título ou a posse de uma propriedade, na realidade está se discutindo o direito de propriedade, claramente previsto no artigo 5º da Constituição Brasileira.

É uma discussão tão absurda que este direito pode ser diariamente observado na própria natureza.

Felinos, bubalinos, primatas, caninos e tantas outras espécies marcam seu território e o disputam em batalhas muitas vezes sangrentas e até mortais.

Nada nasce na sombra de uma árvore que possa atrapalhar a área delimitada para a absorção de sol e chuva por suas raízes.

Nenhum país evoluído e democrático discute o direito de propriedade, pois sabe que o não respeito a esse direito é o maior inibidor de investimentos da economia globalizada em que vivemos hoje.

O investidor atual pode construir sua fábrica ou montar seu negócio, em qualquer país, desde que seu capital seja respeitado como propriedade privada.

A geração de energia renovável depende exclusivamente do agronegócio e nenhum investimento externo será aplicado nesta área em nosso país se o capital nele utilizado não for respeitado.

Portanto, cabe aos nossos governantes, atuais e futuros, uma profunda reflexão sobre aproveitar ou não as chances ora apresentadas ao país, de implantação de grandes agroindústrias e de produtoras de fontes renováveis de energia.

O direito de propriedade é um direito líquido e certo e nossos governantes têm o dever constitucional de defendê-lo a todo custo, por se tratar de interesse maior de toda a sociedade brasileira.

João Bosco Leal. Acesse www.joaoboscoleal.com.br. Email: artigos@joaoboscoleal.com.br
 
 
O valor do trabalho e a riqueza do Homem
Postado em 28/08/2010 às 05:00
Um dos grandes resquícios negativos em nosso inconsciente coletivo enquanto ser humano e povo é a conotação do trabalho. Desde as épocas gregas onde o trabalho era tarefa dos escravos, bem como do Brasil colônia que o trabalho é mal visto e mal falado. São poucos aqueles que defendem o trabalho como fonte natural de progresso e crescimento do ser humano. Todavia, as grandes personalidades da história da Humanidade são partidárias e exemplos do trabalho como elemento positivo e dignificador. Apenas por meio e por causa do trabalho que eles se realizaram. Não há, pelo menos que eu me lembre, uma estátua ou uma biografia do grande preguiçoso ou daquele que mais gozou a vida sem nada fazer. O desperdício da vida e do valioso tempo não é digno de aplausos. Pelo trabalho não apenas se ganha a vida, mas se constrói o caráter. Seriedade, disciplina e aprendizagem são alguns pontos que enobrecem o bom trabalhador. Assim, não é de se estranhar que o trabalho era visto por Adam Smith, o pai da Economia e da obra “A riqueza das Nações”, como a fonte de criação de valor e da riqueza. Não um trabalho baseado na estrita visão da exploração, mas aquele que percebe a importância do olhar do outro e da necessidade de se conviver num mundo baseado na justiça. Assim, ser trabalhador é assumir sua parte no desenvolvimento do mundo e de si próprio, haja vista que é dado a cada um conforme as suas próprias obras e ações. Pelos meios econômicos pode o trabalhador maximizar suas satisfações. Todavia, esta não seria a opção mais adequada, ou a melhor. Como disse o filósofo Cícero: “Summum jus - Summa injuria”. Ou seja, o Supremo Direito é a Suprema Injustiça. Quem busca todos os direitos e satisfações pessoais acaba se tornando um ser injusto, pois a minha liberdade e o direito não podem violar a liberdade e o direito do outro. E quem planta injustiça colhe lágrimas! Por isso, Smith percebe a necessidade de controlar o egoísmo como forma de se proteger. Na verdade, ele percebe que a caridade e a simpatia são elementos que favorecem a vida e a felicidade do indivíduo na sociedade. Como disse Smith: “a sociedade floresce e é feliz onde o auxílio necessário é fornecido reciprocamente pelo amor, gratidão, amizade e estima”.

Paulo Hayashi Jr., doutorando em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Email: paulo.hayashi@hotmail.com
 
 
O dia em que Lula se despediu
Postado em 25/08/2010 às 13:59
Toda manhã, como se isso já fosse rotina, ele voltava para casa com uma sacola contendo alguns produtos embrulhados num papel-jornal. Caminhava daquele seu jeito de menino pobre, meio se esforçando para andar com o peso daquele saco, pisando firme na estrada de terra de mais ou menos dois quilômetros, a distância entre sua casa e a venda. De olhar franzino, pernas finas, rosto moreno e cabelo mal cortado, ele fazia aquele trajeto todos os dias.

De vez em quando passava um caminhão pela estrada empoeirada, e lá já não se via mais ele, até a poeira assentar. Mateusinho era seu nome, e assim ele era conhecido em Potuverá, um bairro da periferia de Itapecerica da Serra, município da região metropolitana de São Paulo. Era filho de dona Eunice, desempregada, costureira, mãe solteira, que vivia do Bolsa-Família, o que, segundo ela, “ajudava a criar Mateusinho”. Vez ou outra eu levava algumas roupas à sua casa para ajustar, fazer barra, reforçar os botões, essas coisas que costureiras de bairro costumam fazer. Sua casa era humilde, de móveis pobres, e havia uma mesa simples, com toalha de plástico, que cheirava a café feito na hora. Num canto da sala, perto da TV, havia uma imagem do presidente Lula, dessas que se recortam em revistas.

Ainda me lembro da última vez em que lá estive. Mateusinho estava se preparando para ir à escola, e num gesto amistoso, ainda segurando minhas roupas nas mãos, a serem entregues a dona Eunice para o devido reparo, eu disse a ele: “Tudo bem, Mateusinho? Te vejo sempre pela manhã, na estrada, a caminho da venda”. Num gesto tímido de criança, ele me olhou e balançou a cabeça, como se dissesse “sim”. Com olhar de mãe orgulhosa, rindo, dona Eunice completou minha frase e disse a Mateusinho: “Diz bom-dia pro moço”. Então, desajeitado, ele sorriu e disse “Bom dia”, com voz baixinha.

Quando já estava de saída, eu disse a dona Eunice: “A senhora gosta do Lula, não é? Vi a foto dele lá perto da TV”. Tão logo concluí a pergunta, percebi que Mateusinho olhou para mim e num sorriso se antecipou e disse: “Ela gosta do Lula e eu também”. Dona Eunice balançou a cabeça, como quem agradecesse ao presidente, e completou: “Adoramos o Lula”. Foi naquele momento que percebi que aquela fotografia, meio perdida ao lado da TV, para aquela família simples, pobre e sem recursos, significava mais que uma foto – Lula ali era um pai, um pai que naquela casa nunca existira. Dei-me conta também de que o trajeto diário de Mateusinho entre sua casa e a venda, como se cumprisse uma oração, era a possibilidade daquela família pobre, através do Bolsa-Família, de comprar uma manteiga, um pão e um leite que alimentavam mãe e filho e davam o mínimo de dignidade e segurança àquela união familiar destroçada pelo destino, como tantas por este Brasil.

Já no portão, despedindo-me, comentei: “Logo o presidente Lula vai nos deixar, não é? Vai acabar seu mandato”. E complementando ainda fiz uma observação: “Acho que o dia em que a gente acordar e souber que o Brasil não mais terá o Lula a gente vai sentir, não é?”. Foi quando os olhos de dona Eunice marejaram, e de mãos dadas com o seu Mateusinho ambos me olharam com cara de quem queria chorar. Naquelas mãos dadas entre mãe e filho, vi mais que tristeza nos olhos dos dois – vi receio, saudade e gratidão de gente que nunca teve nada por um presidente que serviu de pai e supriu a lacuna da miséria e da desesperança, com inúmeros projetos de inclusão social. Ao abrir o portão, dona Eunice me olhou e, apertando mais ainda a mãozinha de Mateusinho e a minha, me disse, com os olhos cheios de lágrimas: “Não quero nem pensar nesse dia, doutor. Pra mim vai ser igual à despedida de um pai. Vou me acabar de chorar".

Fernando Rizzolo é advogado, e editor do Blog do Rizzolo. Acesse www.blogdorizzolo.com.br. Email: imprensarizzolo@gmail.com
 
 
Tiririca para Presidente
Postado em 25/08/2010 às 13:57
Quem tem um pé na roça ou ao menos um quintal em casa, conhece bem uma erva daninha chamada “tiririca”. Quando ela infesta um gramado é um “deus nos acuda” para eliminá-la. Com hastes finas e alongadas, em pouco tempo domina uma grande área. Não adianta simplesmente arrancá-la do chão. Afinal, ela se alastra no subsolo. Seus bulbos criam raízes, originando outras tantas. Para exterminá-la, só cavando profundo.

Em todos os setores da atividade humana também temos “ervas daninhas”. Mas é na política que elas proliferam com mais facilidade. Terreno fértil, tem sido invadida por muitos parasitas. E a cada ano que passa, sobram poucos homens públicos decentes para honrá-la. Após sucessivas eleições, esse setor vem sendo ocupado por pessoas sem o mínimo preparo e, o que é pior, não escondem o interesse que têm em tornarem-se políticos com um único objetivo: “arranjarem uma boquinha”. Não temem o ridículo. O escracho vem ganhando força.

Se a classe política proibiu os programas humorísticos de fazerem piadas sobre seus integrantes, o povo não tem sentido falta, pois mais e mais candidatos dão show de humor no horário eleitoral. Com nomes engraçadíssimos – “Zé Ninguém”, “Pneu Furado”, “Fulô de Cheiro”, “Tião da Vaca”, “Zé Cutia”, “Didi da Pomba”, “Rosilei Quem Quem” e tantos outros - hoje são os maiores humoristas do Brasil. Não têm concorrentes. E diante dessa realidade, muitos profissionais do humor tentam migrar para a política. Assim, “Tiririca”, “Batoré”, “Juca Chaves”, junto com a “Mulher Pêra”, “Mulher Melão”, alguns ex-BBB's, jogadores de futebol aposentados, formam um caldo preocupante. Acabou a seriedade.

São candidatos que não disfarçam seus propósitos. Não escondem que nada entendem de política. O palhaço Tiririca talvez seja o mais ousado. Na sua propaganda eleitoral, fantasiado de seu personagem, afirma: “Vocês sabem o que um Deputado Federal faz? Na verdade, eu não sei, mas vote em mim que eu te conto depois”. Perguntado se colocaria parentes para trabalhar com ele, responde rapidamente: “Com certeza. Primeiramente a minha família”. Para arrematar, manda seu bordão: “Vote Tiririca, pior do que tá não fica.” Bem, tem graça porque ele ainda não foi eleito. Mas há muito mais! E não estamos falando de candidatos de algum Estado atrasado ou pertencente a um partido nanico. Grande parte concorre pelo Estado de São Paulo – o mais rico – e são filiados de grandes partidos.

É certo que a classe política dominante sempre se serviu de candidatos populares, conhecidos através da grande mídia televisiva. Cumpriam um papel no processo: angariavam votos para a legenda, transferindo-os para os caciques perpetuados no poder. Entretanto, se antes só um ou outro furava esse bloqueio e acabava eleito, hoje, com essa avalanche de exóticos, há o perigo concreto da consagração nas urnas de um número expressivo desses debochados. E não é loucura imaginar que, num futuro muito próximo, eles venham dominar esse cenário. Se nada for feito para impedir esse descalabro, talvez, em um dia não muito distante, tenhamos uma campanha bem popular e seremos obrigados a assistir a posse de “Tiririca” ou seu similar para Presidente do Brasil.

Mauri Valentim Riciotti é procurador de Justiça. Email: mauri_riciotti@hotmail.com.
 
 
A lei não é para ser flexibilizada
Postado em 25/08/2010 às 05:00
É preciso que no Brasil se passe a respeitar os dispositivos legais vigentes e não se tente flexibilizar a sua aplicação para atender aos interesses de políticas públicas governamentais transitórias.

A seriedade de um país também se mede pelo cumprimento de suas normas públicas e decisões dos tribunais. É muito preocupante aos cidadãos de um Estado Democrático de Direito presenciar o seu país ser governado por alguém, ou grupo político, que não se sintonize com os padrões que devem ser observados em democracias devidamente constituídas.

Contornar os ditames legais existentes através de aprovação de medidas provisórias para atender a interesses políticos ou satisfazer projetos de efeitos transitórios é uma medida irresponsável daqueles que querem impor a sua forma de governar em desacordo com o espírito democrático saudável de se conduzir exemplarmente no país. E isso põe em dúvida a seriedade de nossas autoridades, que demonstram não respeitar as normas escritas nacionais.

Assim, como a população civil tem que saber conviver com o espírito democrático de um país, politicamente organizado, respeitando as suas regras, da mesma forma o Estado, representado por seu governo, não pode ficar pretendendo administrar a federação pela flexibilização de suas leis.

O Executivo bem que gostaria que não existisse a Lei de Responsabilidade Fiscal para poder gastar à vontade. Recentemente, o senhor presidente da República reclamou que o Tribunal de Contas da União (TCU) dificulta o seu governo ao fazer restrições às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Agora, está em pauta no Congresso a MP 489/10, que autoriza a União a integrar, na forma de consórcio público de regime especial, a Autoridade Pública Olímpica (APO), entidade coordenadora das ações governamentais dirigidas aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Participam do consórcio o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura do Rio de Janeiro. A medida provisória flexibiliza os procedimentos da Lei das Licitações (Lei nº 8.666/93), ao propor um regime específico para a aquisição de bens e a contratação de obras e serviços, inclusive de engenharia e na infraestrutura aeroportuária, visando, além das competições de 2016, a Copa do Mundo de 2014. Segundo o governo, as medidas são necessárias para evitar atrasos. (Fonte: Congresso em Foco).

Mais uma vez o governo se utiliza de artifícios para tentar burlar uma norma legal. E isso é muito preocupante porque cria precedente inaceitável às regras jurídicas nacionais, que devem ser aplicadas com seriedade e observadas por todos, inclusive pela administração pública governamental.

Julio César Cardoso, bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Email: juliocmcardoso@hotmail.com
 
 
Revisão de indenização a anistiados
Postado em 24/08/2010 às 06:00
É muita hipocrisia e esperteza dessa turma de anistiados que se valeu de indenizações ditas por perseguição política. E as pessoas que foram vítimas desses agitadores e que perderam a vida, deixando as suas famílias desamparadas, isso não significa nada na consciência espúria desses falsos moralistas e defensores de anarquistas? Por que somente o outro lado subversivo fez jus a reparo pecuniário de "injustiça sofrida", sendo indenizado pelo Estado? E o pior, algumas indenizações extrapolaram a razoabilidade, motivo pelo qual o Tribunal de Contas da União (TCU), como órgão fiscalizador das contas públicas, vai proceder a uma verificação.

Essa corja de agitadores comunistas, ou grupo de esquerda, que promovia ação armada contra o regime, era formada por gente como a candidata Dilma Rousseff, que queria transformar o Brasil numa célula socialista bolchevista, como hoje o PT deseja. E graças à intervenção militar, o país hoje respira livre das mãos de comunistas.

Excessos existiram de ambos os lados. Mas quem entrou na chuva teve que se molhar. Entretanto, a maioria dos brasileiros não participou de nenhuma anarquia. E muitos que vivenciaram esse período conturbado brasileiro não foram molestados por ninguém. Ao contrário, foi um período interno de segurança nacional a todas as famílias que não tinham envolvimento suspeito com política. Não havia grade de segurança nas casas e edifícios, bem como inexistia o poder dos narcotraficantes a desmoralizar a sociedade. No Brasil havia segurança pública em todo território nacional.

O Tribunal de Contas da União não quer tirar indenização política de ninguém, como falaciosamente questiona o senhor Luiz Couto (PT-PB), mas corrigir distorções porventura existentes. Ademais, o decreto que concedeu indenização aos "perseguidos políticos" (Decreto 4897/03), assinado por um dos beneficiados, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe uma benevolência inexplicável ao conceder isenção de Imposto de Renda a essas aposentadorias excepcionais, mas silenciada pelo Judiciário, por quê?

Luiz Couto, Pedro Vilson, Paulo Abrão, Antônio Modesto da Silveira e outros deveriam demonstrar a sua preocupação e humanidade também com os familiares das vítimas de ações terroristas dos ditos perseguidos políticos. Por que se omitem?

Julio César Cardoso, bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Email: juliocmcardoso@hotmail.com
 
 
Por que vivemos o paradoxo da farta informação e baixa qualificação?
Postado em 24/08/2010 às 05:00
Alguém se lembra como era o mundo antes da internet? Interessante, parece que ela sempre existiu!

Você, utilizando a rede com assiduidade e intensidade, não é capaz de imaginar que esse extraordinário recurso está ai há tão pouco tempo e ocupou a vida das pessoas definitivamente.

Das pesquisas escolares às cientificas, tudo passa por consultas à rede. Realmente um novo ambiente, um novo mundo, e virtual. Terceira, quarta, quinta, que dimensão é esta?

Há alguns anos, a informação passava pela aquisição de livros, apostilas e as fotocópias, tão combatidas, além das aulas. Hoje a disponibilidade é fácil e farta. Cresceu em escala geométrica.

Quando você se interessa por algum assunto precisa telefonar para alguém, ir às bibliotecas, pedir material emprestado? Talvez algo específico, recomendado. Para uma primeira abordagem e contato com o assunto basta entrar na rede e fazer uma pesquisa. Encontrará não só informações como opiniões.

Paralelo a esse fato, denominado internet, as pessoas tem mais acesso a cursos técnicos e faculdades. Reúna os dois e estará possibilitando, a estas, condições de uma preparação profissional mais adequada, pelo menos no sentido do aculturamento.

Perícia, destreza, habilidade, capacidade de aplicação dependem de exercício.

É importante separar os conceitos de educação e treinamento. Educação engloba ensinar e aprender e treinamento o desenvolvimento de habilidades pela repetição. Posso perfeitamente saber tudo sobre música, sem que tenha habilidade para tocar um instrumento por não praticá-lo.

Os jovens hoje são mais esclarecidos e desinibidos que os de algumas décadas e têm farta informação. A mobilidade também é grande, muitos dirigem e tem seus próprios veículos. Quando não, utilizam os dos pais e de amigos.

A capacidade de se expressar e os meios para se comunicar são bastante desenvolvidos, então por que enfrentam dificuldades para colocação no mercado de trabalho?

Na opinião de muitos jovens não há vagas, em contraposição as notícias: Sobram vagas e não há qualificação!

Há um nó a ser desatado, não há?

Em um fórum poderíamos debater o que precisa de aprimoramento:

- A vaga ou o profissional?
- O entrevistado ou o entrevistador?

Qualidade estabelece uma relação direta com valor. Produtos Premium estabelecem valores Premium.

Temos que lembrar que contratamos serviços e não pessoas. Aquelas com maior potencial para oferecer serviços de qualidade estarão nas empresas onde o conjunto – salários mais benefícios – forem recompensadores. É a lei da oferta e da procura.

Isto ainda não responde a questão: Por que temos farta informação e baixa qualificação?

Sobram informações e faltam informados? Sobram entendidos, falta entendimento?

Excedem as leituras, não há leitores?

A pergunta é simples e deve ser feita por gestores e candidatos: Que oportunidades estão disponíveis, quais as carências a serem supridas, como supri-las e em quanto tempo.

O mercado “aposenta” cedo demais profissionais experientes, ao mesmo tempo que procura “estagiários com experiência”.

Essa troca prematura, sem preparar substitutos, leva as empresas à deficiência organizacional que provoca perdas com desperdícios, erros e com oportunidades não observadas e exploradas.

A contratação de profissionais com baixa qualificação, por conta de baixos salários, cria administrações não só precárias como sofríveis.

Lamentavelmente seus gestores não se dão conta do alto custo dessa administração barata!

Ivan Postigo, diretor de gestão empresarial. Email: ivan@postigoconsultoria.com.br. Acesse www.postigoconsultoria.com.br
 
 
A vitória das ruas
Postado em 23/08/2010 às 14:05
Conheço quem pega o carro para ir daqui até ali, sem qualquer justificativa ponderável; por exemplo, alguma dificuldade motora, ou uma chuva torrencial. A pessoa só se sente segura dentro das latinhas com roda, aquilo a ajuda a superar as barreiras e fronteiras da vida; às vezes, até a própria timidez e comportamento. Todos os vidros fechados, de preferência escuros, aquela coisa horrível. Se tiverem grana, pior, os carros serão tanques blindados. Nunca mais aquela paquera gostosa do meio do trânsito!

Conheço quem não saiba andar nada na cidade sem se perder, nem pelas áreas centrais, e nunca sai dos limites de seu cotidiano, quase decorados, reprisados dia a dia. (Todos têm GPS). Não imaginam e nem se interessam pelas constantes transformações da cidade onde moram. Nem percebem as mudanças, sejam elas positivas ou negativas. Em geral, já que não reparam, é tudo ruim, estragado, feio, e elas não estão perdendo nada. Se abrissem os olhos...

Ledo engano. Não dá mais para viver sem as ruas. Sem elas, sem seu cheiro, buracos, as suas pessoas, nós ficamos míopes, ou ciclopes de um olho só. Não poderemos perceber um palmo adiante do nariz, nem comparar vivências, nem aprender, muito menos reivindicar. E o pior: quando fui procurar vantagens das ruas, lembrei-me dos malditos shoppings, ex-ilhas de segurança, onde todo mundo parece vestir, pensar, andar, fazer, falar, mostrar igual. Onde as moças andam com aquele jeitinho, de calça jeans skinny, scarpins e bolsas coloridas, cabelos escovados à enésima, e as crianças parecem saídas das revistas.

Vamos para as ruas. Onde mais tanta gente completamente diferente entre si? Onde mais toda a realidade social?

Surtei. Além dos shoppings, a violência entra em hotéis e residências, toma reféns, machuca e causa mortes.

Vamos para as ruas. Todos os bairros, todos os lugares hoje têm lojas, coisas, fico boba de ver tal variedade. Antes não era assim. Nas ruas, se retoma o sentido das vilas, das comunas, da convivência. É isso que traz a segurança. Movimento.

Surtei de novo e logo eu, que não gosto de muvucas, muito menos de andar em grupos, pensei que agora deveremos passar a andar em montinhos, todos juntos, uns defendendo os outros, compactos. A garotada já se deu conta disso, e é comum hoje vermos grupos de quinze, vinte jovens, andando juntos, para o bem e para o mal. Aqui no meu pedaço, umas hordas de lombriguinhas engraçadas e quase andróginas, perninhas finas, cabelinho, e forte disposição de ser diferente. Melhor: as apresentações de seus shows particulares acontecem nas ruas. Ou são tatuados, ou usam boné, ou deixam o cofrinho de fora; cada grupo, um código. Não é mais West Side Story. É outra coisa. É a vida mudando; as gerações passando, novos guetos se formando. O aquecimento global, cromossomos XX, XYZ, genomas e genéticas, seus efeitos.

Lembrei com saudades das pracinhas do interior, do footing; das casas com janelas e portas abertas, mesmo que no mesmo nível das calçadas, Na praia ainda tinha um pouco disso, mas faz tanto tempo que não viajo que posso até já estar errada.

Onde mais encontrar o outro? Meninas, ele não bate na porta! Meninos, ela não vai cair do céu. Dá uma olhada como andam os bares na hora do tal happy-hour! Percebe que está mudando? Não tem muito mais gente, pegação, hora da alegria?

Acho também que acabou sendo uma colaboração da Lei antifumo que se espalhou pelo país, pior que bituca acesa na palha. Hoje lota qualquer berimbau, boqueta, pé-sujo, biboca, barraquinha de hot-dog, beira de esquina. Lota. Não que todos fumassem. Mas é que a convivência entre fumantes e não-fumantes é, acredito, de formação, pacífica, e um vai com o outro lá fora fumar, igual mulher quando vai ao banheiro. Tudo bem. Olha só: efeito positivo! Mais gente nas ruas. Inclusive nos passeios e calçadas. Não estou falando?

As ruas são todos os estilos musicais, formas, físicas e mentais, qualquer mistura possível de ver. Onde mais conheceríamos tantas raças de cachorros? Tantas cores de cabelos? Onde mais, homens e mulheres apaixonados andando de mãos dadas, um com um ou com outro e outro, também? Diversidade chama diversidade e criatividade. Onde mais mulheres muçulmanas, monges budistas, judeus ortodoxos, indianos com seus sáris, a neguinha com chapéu? O típico cafetão das ruas nova-iorquinas de cinema e o cabeça-chata, lado a lado, puxando incautos para os shows da noite de néons da Rua Augusta? A exposição de carros-jóias de todas as cores atrás de vitrines de vidro da Avenida Europa? Se você não estiver em Brasília, tem de parar o carro um pouco, vai se acostumando. Andar vai lhe fazer bem. Depois me conta.

Está todo mundo aí, tentando construir networking, a tal rede de relacionamento virtual que talvez até um dia possa render alguma coisa, além de amolação. Todo mundo acabou voltado para dentro, recolhido. Isso não é bom. Nos tornam frágeis, inseguros, solitários, desinformados e manipuláveis.

Porque nos torna invisíveis. Às ruas, portanto! Networking Street. Ao menos poderemos olhar uns para os outros.

Marli Gonçalves é jornalista. Acesse http://marligo.wordpress.com. Email: marligo@uol.com.br/marli@brickmann.com.br
 
 
Ideli Salvatti e seus subterfúgios políticos
Postado em 23/08/2010 às 06:00
O povo catarinense precisa conhecer melhor a sua personalidade. Acostumada a se comportar como uma extrema defensora do governo Lula no Senado, a ponto de participar do grupo que não aceitava ver o governo ser investigado por qualquer suspeita de irregularidade política, a senadora Ideli sempre soube tirar proveito de sua aparente seriedade. Sim, falo de aparente seriedade, pois quem se utiliza de subterfúgios políticos para tentar incriminar adversários não pode merecer credibilidade de ninguém, principalmente agora que pretende ser governadora estadual de Santa Catarina. Mas, certamente, grande parte do eleitor catarinense desconhece os seus métodos de fazer política. E quem procede de forma capciosa não merece governar Santa Catarina.

A revista Veja, edição de 11/08/2010, apresenta o ex-diretor da Previ, Gerardo Santiago, que conta que produziu dossiês contra oposicionistas - para desmoralizar os adversários - a mando do presidente do fundo de pensão do Banco do Brasil, Sérgio Rosa, controlado pelo PT, que presidiu a Previ até maio deste ano. É uma pena que o Banco do Brasil e seu fundo de pensão estejam contaminados pela ingerência de fajutos políticos petistas em suas direções.

Vejam trechos da entrevista de Veja com Gerardo Santiago: -"O senhor foi escalado para produzir dossiês contra adversários do governo Lula? Em dezembro de 2005, quando a CPI dos Correios estava encurralando o PT, o Sérgio Rosa me chamou à sala dele e disse que eu reunisse informações sobre investimentos problemáticos na Previ que estivessem ligados a políticos da oposição (...). - Como foi esse trabalho? Eu sabia que o Conselho Fiscal da Previ havia separado uma série de investimentos de riscos, que exigiam atenção especial. Quando Sérgio Rosa me deu a orientação, resolvi pesquisar nesse arquivo, que era uma bela matéria-prima (...). Aí consegui juntar denúncias contra o governador ACM, contra o governador José Serra e contra o então presidente do PFL, o senador Jorge Bornhausen. Depois de trinta dias de trabalho, fiz o texto, juntei documentos, encadernei e entreguei ao Sérgio Rosa, que o guardou para usar na hora certa. - Qual foi o uso que o Sérgio Rosa fez desse material? Em uma sessão da CPI no fim de fevereiro de 2006, o deputado ACM Neto (DEM-BA) estava atacando o governo e perturbando a senadora Ideli Salvatti (então líder do PT no Senado). Então, ela perguntou a um grupo que a assessorava: "Ninguém aí tem nada que possa calar a boca desse moleque?". Aí eu falei: "Senadora, contra o rapaz, não. Mas eu tenho uma munição pesada contra o avô, não serve?"Ela começou a pular, a comemorar. Ligou para o Sérgio Rosa, e a coisa andou. O Sérgio enviou o dossiê para o gabinete dela. Duas semanas depois, estava tudo na capa da revista Carta Capital (a reportagem foi publicada na edição de 8 de março de 2006)."

Essa é a senadora Ideli Salvatti, maquiavélica, tirando proveito de dossiês chantagiosos para defender o seu PT e chamuscar adversários. É com esse espírito bélico e revanchista, de métodos sorrateiros e de seriedade duvidosa, que a candidata Ideli Salvatti pretende governar Santa Catarina? O eleitor catarinense precisa conhecer melhor a sua personalidade.

Julio César Cardoso, bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Email: juliocmcardoso@hotmail.com
 
 
 
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