Dentre muitos outros, Pedro José de Lima, 76 anos, o Pedrinho, é um dos amigos fieis e inseparáveis de Ramez Tebet; daqueles para quem se olha e logo vem à mente a figura do ex-Senador. Sergipano, assim que o “seo” Pedrinho chegou a Três Lagoas, em 1975, teve uma experiência marcante com o então prefeito Ramez Tebet, que, segundo ele, vai marcar pelo resto da vida. Ali nasceu a amizade dos dois. Pedrinho se preparava para construir sua casa, ao lado do Ginásio de Esportes (seu atual local de trabalho, que não existia na época), onde reside até hoje. Com não tinha água, foi atrás do chefe do executivo, sendo atendido prontamente. “Ele (Ramez) disse que água seria instalada logo, mas não esperava que fosse no dia seguinte”, relata. “Ai eu fiquei devendo essa gratidão; eu vi logo que ele era ponta firme”. Passado mais um tempo, Pedrinho foi à Prefeitura solicitar a luz, que acabou chegando em menos de uma semana.
Como forma de retribuir a atenção do prefeito, Pedrinho passou ajudá-lo na trajetória política, não só votando nele em todas as eleições, mas participando efetivamente das campanhas eleitorais. Além disso, vestiu também a camisa da herdeira Simone Tebet - a quem considera como uma filha sua - desde o seu ingresso na política. “E estarei com ela sempre, onde quer que esteja”.
Pedrinho relata que depois que foi para Campo Grande e Brasília, sempre que chegava a Três Lagoas, Ramez o ligava para ele. O papo era colocado em dia na casa do pai de Ramez (seu Tuffic) e depois que este morreu, na residência do Magid Thomé.



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Legenda: da esquerda para a direita: Nilson Araújo, André Pucinelli, Waldemir Moka, Franklin Mashua, Valdenir Machado, Frederico Valente, Onevan de Matos, Dagoberto Nogueira, Alfredo Sulzer, Pérsio Andrade, Edil Albuquerque, Braz Melo, Juvêncio da Fonseca, Wilson Martins, Ramez Tebet e Valter Pereira.
“Nunca matei um pai de familia e nunca desrespeitei ninguém; só matei bandido!”. O autor da frase acima seria Antônio Joaquim Aragão, o Camisa de Couro, conhecido pistoleiro de Três Lagoas que foi executado com 12 tiros em frente ao prédio da estação ferroviária, em novembro de 1961. Quem atribui a frase Aragão é o aposentado e pecuarista Richarte da Silva Latta, 83 anos, que conviveu com o justiceiro, cuja fama ultrapassa a fronteira do município. Outro que também conheceu Camisa de Couro e relata detalhes pormenorizados dos fatos que cercam o seu nome é o advogado e ex-vereador Luiz Carlos de Casto Pinto, cujo pai - Julio de Castro Pinto – por pouco não foi advogado do matador.
SEM MEDO
Latta disse que conversou por várias vezes com Camisa de Couro, que teria fugido do Sergipe para Três Lagoas, onde acabou se tornando uma espécie de “Lampião do Mato Grosso”. Além do seu famoso “jipão” verde, o aposentado conta que o pistoleiro costumava andar de avião, patrocinado pelos mais abastados em troca de segurança. “Esse povo bravo costumava ser caçambeado (lisonjeado) pelo povo”, narra. Latta diz que nunca teve medo do pistoleiro, porque sempre procurou “andar direito”. Um dos grandes amigos de camisa de Couro teria sido João Carapina, na casa – em frente ao antigo Cine Lapa, na Rua João Carrato - de quem teria ocorrido o seu velório.
De acordo com o pecuarista, Camisa de Couro admitia que “não era gente boa mesmo”.
RELATOS
Castro Pinto também conhece muito bem a história de Camisa de Couro e de muitos outros que faziam de Três Lagoas a “Capital da Pistolagem”, devido à falta de estrutura da polícia, que não contava com recursos humanos e muito menos com viaturas. Alzirão, João Cachimbo, Jerônimo Sinhá e Beriba, entre outros, também eram os “carrascos” da época.
Porque se matava tanto? De acordo com Castro pinto, uma das causas mais comuns era o rompimento de tratos, quase sempre eram verbais. Ninguém admitia ser passado para trás e resolvia tudo na bala. Ai é que os pistoleiros entravam
Dentre as muitas histórias envolvendo Camisa de Couro, Castro Pinto relata uma que chega ser hilária. Na época da barragem, quando se formavam enormes filas para as matinês do Cine Santa Helena, em certa ocasião, ao ser barrado por um funcionário do cinema, ele deu uns tiros para o alto, espantando a clientela. Acabou entrando no cinema e assistindo ao filme praticamente sozinho.
Outro fato contado por Castro Pinto é quando Camisa de Couro resolveu se regenerar e por pouco não se tornou cliente de seu pai, um renomado advogado da cidade. Cansado da vida de perseguição - sendo acusado até mesmo por crimes que não havia cometido, com um juiz de direito da cidade Assis (SP) - ele teria manifestado a intenção de se tornar um cidadão de bem. Seu plano, porém, não deu certo, já que a condição para o que o advogado assumisse sua causa era que se entregasse à Justiça, o que foi recusado prontamente. “Se eu me entregar, não saio vivo da cadeia”, teria respondido.
Castro Pinto conta ainda, que após a morte de Camisa de Couro, seu tio, o coronel Luiz Carlso Abbott de Castro Pinto (delegado da época) teria encontrado em sua carteira um pedaço de couro de lobo, uma espécie de amuleto da sorte.


