Geral | Cidade - Brasilândia
11/09/2009 - 15:22 | Atualizado em 14/10/2009 às 14:01
Ofaié participa de vídeo documentário arqueológico
Pesquisadores visitaram Brasilândia para conhecer sobre os costumes dos indígenas
Patricia Acunha
Patricia Acunha
Doutor Gilson pergunta ao índio sobre a vida dos Ofaiés na região
Patricia Acunha
Arqueólogos conversam com Ataíde Francisco sobre o projeto
Na manhã de hoje (11), os doutores em Arqueologia, Gilson Rodolfo Martins e Emília Mariko Kashimoto, junto com a Produtora de Vídeos “440 Produções”, estiveram em Brasilândia para a filmagem de um vídeo documentário sobre a pré-história das margens do rio Paraná. A equipe foi recepcionada pelo responsável da Saúde Indígena de Brasilândia, Abadil Alves da Silva.
De acordo com o Doutor Gilson, o projeto visa mostrar a história desta região, antes do descobrimento do Brasil, por meio dos trabalhos de escavações arqueológicas e na localização que comprovem a ocupação humana dos caçadores-coletores-pescadores aos agricultores ceramistas nas margens do alto curso do rio Paraná, sendo um deles, os indígenas Ofaiés, que atualmente estão fixado na aldeia, próxima de Brasilândia.
Os doutores estimam por meio dos estudos realizados na região, que há mais de 6 mil anos atrás, já existiam habitantes nas margens da região do rio Paraná.
“Este vídeo documentário servirá como um instrumento pedagógico e didático, para a realização de ações na educação patrimonial, nos municípios impactados pela Usina Hidroelétrica Porto Primavera”, explicou o doutor.
Segundo os arqueólogos, a produção foi dividida em duas partes: a primeira, a técnica científica, na localização de objetos arqueológicos; e a segunda, o recolhimento de imagens nos locais onde havia habitantes da pré-história.
As gravações tiveram início nesta semana e seriam finalizadas ainda nesta sexta-feira. No período da manhã, a equipe entrevistou um dos índios Ofaiés, o ex-cacique Ataíde Francisco, na qual contou a vinda do grupo na região, os principais costumes e como eles vivem atualmente.
Uma das principais dificuldades apontada pela equipe durante as gravações foi o acesso entre os lugares das filmagens e as condições climáticas dos últimos dias – as chuvas.
Ainda hoje, os arqueólogos junto com a produtora, iriam para filmar a ponte Paulicéia (SP) e Brasilândia (MS) sobre o rio Paraná, os rios Taquarussu e Sucuriú. A equipe seguiria para Campo Grande para o processo de decupagem e edição.
Segundo Martins, o vídeo documentário está previsto para ser finalizado até novembro e terá duração de aproximadamente 15 minutos.
Este projeto é resultado de um dos contratos firmados entre a Companhia Energética de São Paulo (CESP), com objetivo de mitigar os impactos causados pela obra da Usina Hidretétrica Porto Primavera.
LIVRO
Além da produção do vídeo documentário, os pesquisadores são autores do livro 'Cenários Arqueológicos do Alto Paraná', lançado no ano de 2005.
O livro é resultado de uma pesquisa iniciada em 1.993, na qual foram vistoriados 220 quilômetros da margem direita do rio Paraná bem como ilhas e o baixo curso dos afluentes desse rio.
O 'Projeto Arqueológico Porto Primavera-MS' constitui-se em um dos maiores trabalhos de salvamento arqueológico já realizado no país. Também é resultado de dois contratos firmados entre a Companhia Energética de São Paulo (CESP) e a Fundação de Apoio à Cultura (FAPEC).
Desse total 24 sítios foram efetivamente escavados. Dentre as importantes descobertas do Projeto Arqueológico Porto Primavera, os pesquisadores procuraram retratar todo o comportamento das populações ribeirinhas e os impactos sócio-econômicos, culturais e ambientais sofridos por elas.
Também foi possível analisar dados relevantes sobre a transformação da paisagem, a ocupação colonial, as missões jesuíticas, as incursões dos bandeirantes, o ciclo das monções, dentre outros fatos que revelam a importância do rio Paraná como cenário de navegação na época da colonização brasileira.