Kleber Tomaz/G1
O office boy Edson Miguel Sobrinho diz ter sido agredido pelo PM e seus dois amigos
O auxiliar de estoque Felipe Augusto Brandão, de 24 anos, morto por um policial militar à paisana após uma discussão em uma lanchonete na madrugada deste sábado (4) na Zona Leste de São Paulo, planejava se casar em fevereiro do ano que vem.
A mãe do jovem, Nilza Brandão, diz que ele estava “feliz” e já procurava móveis para a futura casa. Ele namorava havia quatro anos. “Eu até pedi para ele não sair de casa e ficar conosco assistindo a filmes. Mas ele disse que ia só comer um lanche e voltaria. Infelizmente, ele não voltou.”
O crime ocorreu fora da lanchonete Habib’s da Avenida São Miguel, vizinha ao 24º DP, da Ponte Rasa. Segundo a polícia, imagens do circuito interno de segurança registraram a confusão, dentro e fora da lanchonete. Os disparos feitos pelo soldado da PM Eduardo Ribeiro Reis já na calçada também foram filmados pelas câmeras do estacionamento. As imagens foram requisitadas pela polícia e serão utilizadas na investigação.
De acordo com a polícia, a vítima e um amigo, o office boy Edson Miguel Sobrinho, de 20 anos, foram ao Habib´s a pé para comer um lanche. Sobrinho conta que, ao chegar ao local, viu três homens fazendo “algazarra”. “Eu pedi para eles pararem e os três partiram para cima de mim e do Felipe com socos e pontapés dentro da lanchonete.”
O office boy diz que ele e o amigo foram orientados pelo segurança do estabelecimento a deixar o local porque os homens pretendiam continuar a briga. Eles saíram do lugar correndo. Mas os três foram atrás.
Sobrinho afirma que, em um determinado momento, o amigo já não o acompanhava. Ao voltar para ver o que tinha ocorrido, notou que Brandão já estava caído, baleado.
Policiais do 24º DP chegaram rapidamente ao local após serem avisados da confusão por funcionários do Habib’s e ouvirem os tiros.
Funcionários do Habib’s dizem ter visto as imagens gravadas e afirmam que elas mostram correria do lado de fora da lanchonete.
O policial Eduardo Ribeiro Reis foi preso pela PM a poucos metros do local, dentro de um carro. Ele foi levado ao 24º DP para prestar depoimento. Afastado por licença médica devido a um acidente de moto, ele não estava trabalhando. O PM deverá ser indiciado por homicídio doloso e levado pela Corregedoria da PM ao Presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
De acordo com a polícia, o PM também poderá responder por porte ilegal de arma, já que usava um revólver do irmão dele.
Segundo o advogado do policial, Arildo Oliveira de Paula, seu cliente confessa ter atirado na vítima, mas afirma ter agido "em legítima defesa”. De acordo com ele, o PM e os dois amigos dão uma versão diferente para o início da confusão: dizem que foram os jovens quem começaram a fazer barulho na lanchonete. E que o PM e os amigos pediram silêncio.
“Meu cliente diz que ele e os amigos deixaram a lanchonete para evitar mais confusão e os dois rapazes ameaçaram o trio, fingindo estar armados. Ele atirou para se defender”, diz o advogado.
Os amigos do PM devem ser ouvidos na condição de testemunhas e depois devem ser liberados.
Procurada, a assessoria de imprensa da PM deve divulgar uma nota. O escritório central do Habib´s também diz que irá se manifestar sobre o caso. A loja funciona normalmente neste sábado.
Família
O tio da vítima, Jair Brandão, tenente aposentado da PM, afirma que o policial que atirou é “despreparado”. “Por mais que haja um desentendimento, nós policiais sempre somos orientados a resolver tudo no diálogo, a jamais usar a arma, ainda mais em uma situação dessas, com uma pessoa desarmada.”
“Foi um crime banal e a família toda está revoltada. Vamos agora lutar por justiça para que esse policial fique preso e longe da sociedade”, afirma.
G1
1 - Georgia Lopes disse:
08/09/2010 às 10:04
Felipe descanse em Paz.
Este mundo Precisa de Deus estou abalada com isso conheci o Felipe pequeno e ele não era um menino briguento.Um triste fim para uma pessoa tão boa.
Se Ele fosse um bandido estaria vivo.
1 comentário(s) - Deixe seu comentário
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