Técnicos da Agehab conseguiram convencer várias famílias que invadiram 30 casas populares no Jardim Noroeste a deixarem o local. Eles explicaram que invasores são excluídos do cadastro e se não podem fazer posteriormente a inserção.
As casas foram entregues no dia 8 de junho, mas alguns moradores não tomaram posse. O prazo para que as famílias contempladas tomem posse expira amanhã.
Os primeiros invasores chegaram ao local há 15 dias. Algumas casas já estavam sendo reformadas pelos mutuários. No domingos foram registrados cinco boletins de ocorrência por mutuários que tiveram as casas invadidas e acionaram a Polícia.
Em pelo menos dois casos os invasores foram levados para a delegacia para prestar esclarecimentos.
O coordenador jurídico da Agehab, Marco Antônio Rodrigues, explicou que se os moradores não deixarem o local o proprietário tem que ingressar com pedido de reintegração de posse. Ele lembrou que o processo de desocupação é traumático.
Segundo ele, muitos invasores concordaram em deixar o local e alguns pediram prazo de um ou dois dias. Marco Antônio acredita que pode haver dificuldade para retirar invasores de “seis ou sete” casas.
Alguns alegaram que os contemplados estariam alugando e vendendo imóveis. “Se houver esse tipo de irregularidade, vamos averiguar, investigar. Então denunciem”, sugeriu Marco Antônio.
Sem alternativa – Josefa de Souza Barreto, 33 anos, disse que tem cadastro há 4 anos na Emha (Empresa Municipal de Habitação) e que não tem para onde ir. Apesar disso, ela garantiu que vai sair para não ficar impedida de ser contemplada nos programas habitacionais.
Ana Araújo, de 20 anos, ocupa desde quinta-feira passada uma das casas, junto com a filha de um ano e seis meses. “Eu não tenho para onde ir porque não tenho dinheiro para pagar aluguel e não tenho casa”, disse.
Contemplada – Dona de uma das casas, Alessandra Ferreira, 24 anos, conta que ficou cinco anos esperando para ser contemplada com uma casa e que no dia seguinte à entrega da unidade já foi para o local com os três filhos pequenos.
No sábado quando saiu para visitar a casa da mãe, Alessandra conta que os invasores tentaram entrar na casa dela, mas uma vizinha advertiu que uma família morava no local.
“Apesar de não ter iluminação pública nem asfalto, pelo menos é minha casa e é um bairro tranqüilo”, avalia Alessandra.


